Foi esta semana divulgado um relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC), composto por um conjunto de especialistas sob o alto patrocínio da ONU, que alerta para o facto de que se o aquecimento global continuar a crescer ao ritmo que tem acontecido até aqui, decorrente do ainda muito insuficiente controlo das emissões de gases com efeito de estufa, a subida da temperatura média global do Planeta relativamente à era pré-industrial chegará aos 1,5°C entre 2030 e 2052! O que será verdadeiramente trágico!

Porque recorde-se que em 2015, quando foi assinado o Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas (mais vulgarmente conhecido apenas como o Acordo de Paris), os Governos que o subscreveram e ratificaram se comprometeram a “manter o aumento da temperatura média global a menos de 2 °C acima dos níveis pré-industriais”, mas, mais do que isso, a tudo fazerem para tentarem mesmo limitar esse aumento da temperatura a 1,5 °C até ao final deste século”!

O relatório do IPCC agora conhecido é, por isso, assustador! Não só porque antecipa em quase 50 anos o período temporal do compromisso máximo assumido em Paris, mas sobretudo porque essa antecipação, porque retira tempo para uma necessária adaptação para os seus efeitos em especial aos Estados mais suscetíveis e expostos às consequências daí resultantes, terá efeitos em muitos casos devastadores! Entre eles, o agravamento dos períodos de seca severa ou as inundações extremas e a subida do nível das águas do mar, que poderá fazer desaparecer do mapa por exemplo muitos dos pequenos estados-ilhas do Pacífico, mas também muitas outras zonas costeiras densamente povoadas de algumas das regiões mais pobres, indefesas e desprotegidas do Planeta! Mas não só destas! A que acrescerá ainda o efeito dos subsequentes efeitos na agricultura e na erosão dos solos, a má nutrição, a fome e todo o conjunto de doenças associadas num contexto de enorme fragilidade social e económica!

Este é, por isso e por todas as razões que se possam invocar, um desafio para que temos de estar todos convocados! E no qual ninguém se pode permitir ficar de fora!

Portugal, que foi o quinto País da UE a ratificar o Acordo de Paris e que, segundo um estudo divulgado no passado mês de junho pela Associação Ambientalista Zero, ocupa um honroso e prestigiante segundo lugar num “ranking” sobre ambição em metas e medidas para o cumprimento do referido Acordo, sendo somente ultrapassado pela Suécia e estando à frente de países como a França, a Holanda ou o Luxemburgo, tem vindo a fazer um percurso que é digno de justo reconhecimento. 

A título de exemplo, refira-se o Programa Nacional para as Alterações Climáticas 2020/2030, cujas metas para a redução das emissões de gases com efeito de estufa como o CO2 (entre 30% e 40% face a 2005) estão já certamente alcançadas, tendo presente que em 2014 essa redução já tinha atingido os 27%! 

Mas em que o cumprimento de outros objetivos ambiciosos como a retirada do carvão da economia até 2030 ou a neutralidade carbónica em 2050 ainda não são hoje uma certeza absoluta de poderem ser alcançados. Há, por isso, ainda muito para fazer e um longo caminho que tem de ser percorrido, mesmo que Portugal seja responsável por apenas cerca de 0,18% das emissões globais. 

Porque são as partes (mesmo que pequenas) que fazem o todo, cada um (cidadãos, autarquias e Países) tem que fazer a parte que lhe compete!

E entre esses contributos necessários não estão certamente desastres ambientais como aquele que foi perpetrado pela Câmara Municipal do Montijo na Avenida 25 de Abril com aquele abate indiscriminado, injustificável e intolerável de árvores adultas saudáveis!

O elevado sentido de compromisso com a sustentabilidade ambiental global é uma responsabilidade de todos, do comportamento individual e da intervenção local para a realidade global!

12 anos apenas significa que… nos falta tempo já! Por isso, temos de andar melhor e mais depressa do aquilo que fizemos até aqui. O Planeta agradece… e, se formos capazes de o fazer, a geração dos nossos netos também… ou não!

José Esteves

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