A Associação Barreiro Património Memória e Futuro realiza, no sábado dia 2 de Fevereiro, pelas 15.30h, no Espaço L – antiga Estação do Lavradio, uma sessão comemorativa 160 Anos dos Comboios no Barreiro, subordinada ao tema “Complexo Ferroviário do Barreiro, que Futuro?”. A anteceder esta sessão, será realizada uma visita guiada à exposição sobre o caminho-de-ferro no Barreiro.

Em 1855 a Companhia Nacional dos Caminhos-de-Ferro ao Sul do Tejo adquiriu terrenos, para implantação da rede ferroviária do Sul, cujo troço inicial Barreiro/Vendas Novas ficou concluído, e foi festivamente inaugurado pelo rei D. Pedro V e festejado pela população do Barreiro e arredores, a 2 de Fevereiro de 1859. Aberto à circulação comercial no dia 1 de Fevereiro de 1861, o caminho-de-ferro foi portador de inovação e transformações profundas, colocando o Barreiro como principal eixo de ligação entre o Norte e o Sul do País. 

Com esta actividade procura-se debater a situação do Património Ferroviário na actualidade e a sua importância histórica, enquanto elemento aglutinador da identidade cultural do Barreiro. Numa perspectiva de futuro, entende-se que a diversidade e a qualidade do património ferroviário, ainda existente no concelho, pode potenciar-se como uma das âncora  de desenvolvimento local.

A influência que o caminho-de-ferro exerceu sobre a vida dos barreirenses  deu origem a uma cultura ferroviária com múltiplos aspectos sociais de que destacamos o associativismo ferroviário e uma cultura técnica específica, bem como a um vasto e valioso conjunto de património edificado e circulante. 

A cultura ferroviária está muito presente na vida da cidade, mas, o seu aspecto mais visível é, justamente, o património edificado resultante da actividade ferroviária.

O comboio assumiu, a partir do Barreiro, um papel preponderante no desenvolvimento económico e social de toda a região Sul e do próprio País. O transporte de passageiros por via ferroviária, ainda hoje, é de importância relevante, na ligação do Barreiro à capital do Distrito, Setúbal. 

A actividade ferroviária, enquanto pólo gerador de emprego e dinamismo social, deve continuar e ser reforçada no Barreiro. Só deste modo pode contribuir para a riqueza e desenvolvimento integrado da região e do País e para a conservação de parte significativa deste património de arqueologia industrial, em vias de classificação de âmbito nacional, como é o caso das actuais Oficinas.  

Estas, são razões que levam a considerar o Património Ferroviário do Barreiro como um elemento estratégico de desenvolvimento económico, social e cultural que pode, decisivamente, concorrer, para manter vivo um povo, uma cidade, uma Região. Defendemos, portanto, que a salvaguarda da memória e da história representada por este conjunto, entre edificado e não edificado, contribui para a atractividade do Barreiro e consequentemente para o seu desenvolvimento económico e cultural.

Consideramos ser da maior importância a preservação de, pelo menos, parte do material circulante e outros equipamentos técnicos que, no seu conjunto, revelam e reflectem quer um modo de trabalho, quer um modo de vida, que foi importante e pode voltar a ser, no desenvolvimento do Concelho, da Região e do País.

Estes bens culturais de âmbito Nacional hoje considerados Em Vias de Classificação, devem ser mantidos e preservados no Barreiro, até que seja possível concretizar a criação de um Núcleo Museológico Ferroviário, este é o fulcro desta sessão na qual gostaríamos de ter uma participação alargada da população.

Participem com as vossas opiniões, é o interesse de todos que está em jogo, é a nossa identidade passada, presente e futura que todos devemos discutir e construir colectivamente.

Associação Barreiro Património Memória e Futuro

Partilhe esta notícia