Polémico para uns, motivo de celebração para outros, faz hoje 45 anos que o 25 de novembro pôs fim a meses de tensão política e militar, que culminou com a derrota da extrema-esquerda, após a tentativa de golpe militar, cujo objetivo era a instauração de uma ditadura comunista em Portugal. Ora se este é para alguns um tema que divide, para a Juventude Popular uma coisa é certa: independentemente da opinião pessoal de cada um sobre a data, só a podemos expressar porque nesse dia a Democracia venceu.

Como já é habitual, é esperado que os partidos de direita proponham um voto de saudação desta data, que o Partido Socialista se abstenha (por vezes com alguns deputados a contrariar a maioria), e que os partidos de extrema-esquerda o reprovem.

É por isso que neste dia, anualmente somos lembrados quais são os partidos que não respeitam o 25 de abril, por mais que tentem apoderar-se dele. Porque no 25 de abril, o que foi prometido ao povo foi a liberdade, as eleições livres, e a democracia pluralista baseada numa economia de mercado. E se a extrema-esquerda naquela altura, isto é, o PCP, que apoiou a tentativa de instauração de uma ditadura comunista, desrespeitou a vontade do povo português, hoje, 45 anos depois, continua a fazê-lo.

Numa altura em que o número de casos de Covid-19 continua a aumentar semanalmente, o PCP vai realizar, no próximo dia 28, o seu congresso de forma presencial, desrespeitando mais uma vez os portugueses. Não está em causa a legitimidade para o fazer, porque segundo a lei podem realizá-lo. No entanto, a lei não impede o adiamento ou a realização do mesmo de forma não presencial. Trata-se de uma questão de bom-senso e respeito pelos restantes portugueses que, no mesmo fim-de-semana, terão de respeitar as restrições do Estado de Emergência, nomeadamente o recolher obrigatório e proibição da deslocação entre concelhos.

Enquanto outros partidos e juventudes partidárias decidem reunir-se através de plataformas digitais, ou simplesmente adiam os seus congressos para outras datas, como fez a Juventude Popular inclusive, não se compreende a insistência do PCP a realizar o seu congresso presencialmente, como se não estivesse o país a passar pela fase mais aguda da pandemia.

No fundo, o PCP vive como se tivesse numa ditadura comunista que eles tanto queriam implementar em 1975, onde os dirigentes tudo podem e tudo têm, enquanto o resto da população faz filas nos supermercados para poder comprar os bens essenciais. Este era o normal nos países que passaram, e alguns ainda passam, por ditaduras comunistas.

Felizmente, assim como em 1975, o povo sabe distinguir aqueles que respeitam a sua vontade e aqueles que não o fazem, e esta postura do PCP vai-lhes sair cara no futuro. Em 2019, nas eleições europeias e nas eleições legislativas, o partido atingiu dois mínimos históricos. Em 2020 ficou sem deputados na Assembleia Regional dos Açores, acredito que muito devido à sua postura durante a pandemia. E segundo as mais recentes sondagens, o seu candidato presidencial vai pelo mesmo caminho em 2021, assim como as intenções de voto para as legislativas de 2023.

É por isso que o PCP todos os anos reprova o voto de saudação desta data, porque não entendeu e continua sem entender a vontade dos portugueses.

Nuno Rita

Presidente da Juventude Popular de Almada