A Ansiedade: normalidade ou patologia?

Em doses “normais” a ansiedade permite-nos melhorar o rendimento e a adaptação ao meio envolvente. A ansiedade tem a função de nos permitir reagir perante situações que a nossa mente considera preocupante ou ameaçadora.

ansiedade poderá definir-se como uma emoção saudável, que nos ajuda a enfrentar as situações conflituosas da vida, fazendo-nos reagir face aos problemas que poderiam suplantar-nos.

Devemos assim, distinguir entre Ansiedade Fisiológica e Patológica. A Ansiedade Fisiológica, acaba por ser um estado emocional de tensão que surge devido a uma situação concreta e potencialmente perigosa. Por seu turno, a Ansiedade Patológica, é caraterizada por uma reação desorganizada do organismo, a qual provoca a impossibilidade de enfrentar as situações, sem uma razão objetiva/concreta.

Muito se tem investigado, sobre as causas genéticas da ansiedade. A incidência das perturbações de ansiedade tem vindo a aumentar nos países ditos “desenvolvidos”, tendo maior impacto no sexo feminino e manifestando-se com maior frequência entre os 20 e os 50 anos.

Fatores genéticos e fatores relacionados com o crescimento físico e psicológico, poderão contribuir para que determinado individuo se torne mais vulnerável face a esta patologia. Não é possível ainda, afirmar a 100% que exista uma dose de hereditariedade nesta doença, pois ainda não foi descoberto nenhum gene responsável pela mesma, porém está comprovado que os antecedentes familiares de ansiedade potenciam o risco de vir a sofrer desta patologia.

ansiedade provoca um mal estar físico e psicológico, pautando-se por uma sensação de intranquilidade, inquietação, desassossego e insegurança relativamente ao que é vivido como uma ameaça iminente, mas que na verdade não tem uma génese definida. Estas emoções podem ocorrer em simultâneo ou separadamente. Se estas preocupações ou ansiedade excessivas se prolongam por diversas semanas ou meses, então estamos perante uma doença. A ansiedade patológica, surge quando o indivíduo sente sensações pouco definidas de angústia ou medo e desejo de “fugir”, sem que na verdade consiga de forma objetiva identificar as razões para tal comportamento.

ansiedade “patológica” pode ser acompanhada dos seguintes sintomas (sem que existam situações aparentemente perigosas para causar esta ansiedade):

– Perturbações gastrointestinais;

– Enjoos;

– Dores musculares;

– Palpitações;

– Suores e sensação de “boca seca”;

– Falta de ar ou “engasgar” frequente;

– Inquietação permanente;

– Dificuldade em dormir.

Estes sintomas multiplicam-se e aumentam conforme o grau de ansiedade for aumentando ao longo do tempo. Quando as alterações que o corpo experimenta, em momentos de ansiedade, são vividas como uma emoção negativa, desagradável e dolorosa, considera-se que o indivíduo sofre de uma perturbação generalizada de ansiedade.

A ansiedade pode assumir diferentes graus e manifestações, porém podemos classifica-la nos seguintes tipos:

  1. Perturbação de ansiedade generalizada – manifesta-se através de sintomas de ansiedade/angústia generalizados. As pessoas que apresentam este tipo de doença não apresentam fobias, nem obsessões, nem sequer crises de pânico. Contudo, manifestam uma preocupação excessiva com saúde, problemas familiares, pessoais ou profissionais, acompanhados por uma irritabilidade e tensão constantes.
  • Perturbações Obsessivo – Compulsivas (também conhecida por neurose -obsessiva) – As pessoas com esta patologia têm pensamentos e ideias (obsessivas), acompanhados de comportamentos repetitivos (compulsões). As pessoas tem a consciência de que estas ideias são infundadas, mas embora tentem “lutar” contra isso, não   conseguem  evitar estes pensamentos, apresentando uma obsessão. Os comportamentos, manifestam-se por repetições, que tentam “combater” o mal estar que as ideias obsessivas lhes causam.

As obsessões mais comuns podem ser:

– Pensar que se pode adoecer, tocando numa pessoa ou objeto, pelo que estes doentes lavam as mãos com frequência;

– Dúvidas repetidas, como questionar-se se fechou a porta de casa, desligou o ferro de engomar, a torneira da água ou gás,…

– Dispor as coisas de uma determinada ordem (de forma organizada), podendo responder negativamente quando esta “organização” desaparece;

– Pensar em poder fazer mal a alguém, a si próprio ou ser responsável por algo que aconteça.

– Obsessões sexuais  e religiosas.

  • Perturbação de Ansiedade Pós Traumática – é uma manifestação de ansiedade provocada pelo facto de um indivíduo ter sido testemunha ou ter vivenciado uma situação/acontecimento traumático como seja um acidente rodoviário, um sismo, uma cheia, atos de violência (assaltos, violações,…), cenários de guerra, …..As pessoas que sofrem desta patologia costumam viver as situações passadas com regularidade e de forma repetitiva o que acaba por gerar ansiedade/mal estar. É muito provável que este “cenário” faça mudar o estilo de vida, evitado sempre que possível, situações ou pessoas que façam lembrar o que se passou. Podem surgir perturbações, como sejam insónias, pesadelos e sobressaltos.
  • Fobias – as fobias, fazem aparecer medos que não são proporcionais à realidade da situação, não conseguindo o indivíduo lidar com  a causa da fobia, evitando-a a todo o custo! A fobia aparece através da ansiedade e das suas consequências como sejam a sudação, rigidez muscular, fadiga, sufoco, ….

Podemos destacar os seguintes tipos de fobias:

* Aracnofobia – medo de aranhas;

* Acrofobia – medo das alturas;

* Agorafobia – medo de multidões e/ou espaços abertos;

* Agrafobia – medo de abusos sexuais 

* Agrizoofobia –  medo de animais selvagens;

* Androfobia  – medo de homens;

* Apifobia – medo de abelhas;

* Autofobia -medo de ficar só ou sozinho;

* Batofobia – medo de alturas ou de ficar fechado em edifícios altos;

* Bufonofobia – medo de sapos;

* Cancerofobia – medo do cancro;

* Claustrofobia – medo de espaços fechados;

* Cardiofobia – medo de coração;

* Cinofobia – medo de cães;

* Enoclofobia – medo de multidões;

* Equinofobia – medo de cavalos;

* Galeofobia ou gatofobia – medo de gatos;

* Gerascofobia –  medo de envelhecer;

* Ginefobia ou ginofobia  – medo de mulheres;

* Hipnofobia – medo de ser hipnotizado;

* Insectofobia – medo de insectos;

* Panofobia ou pantofobia – medo de tudo;

* Somnifobia – medo de dormir;

* Zoofobia – medo de animais

  
  • Ataques de Pânico

Uma das situações que mais se relaciona com a ansiedade são os Ataques de Pânico. Regra geral, estas “crises de angústia/pânico” acabam por provocar no indivíduo o batimento acelerado do coração, dificuldade em respirar, enjoos e “nós” no estomago, caibras nos membros superiores e inferiores. O indivíduo acaba por entrar num estado “limite” como se fosse sofrer um enfarte ou avc. Estas crises acabam por provocar descontrolo e o medo de morrer.

Os ataques de pânico afetam mais as mulheres do que os homens e tem maior incidência entre os 20 e os 40 anos. Existem pessoas que são capazes de forma consciente perceber qual a causa destas “crises de ansiedade”, mas existem muitas que não conseguem.

Como a maioria dos sintomas são de natureza fisiológica e as crises podem durar vários minutos é normal que ao longo deste período possam surgir vários sintomas e não somente um. 

Todas as patologias referidas anteriormente, podem acabar por tornar contornos de maior gravidade acabando por pôr em causa a qualidade de vida do doente, bem como daqueles que consigo interagem (familiares, amigos, colegas de trabalho,..) pelo que o apoio de especialistas (Psiquiatra, Psicólogo, Psicoterapeuta) podem revelar-se de extrema importância para a identificação da doença e terapêutica a seguir.

José Vaz Quintino

Psicólogo * Docente Universitário * Partner do UNEEQ Consulting Group * CEO da Psicohelp – Psicologia, Saúde e Recursos Humanos