A Depressão : Uma Doença do Mundo desenvolvido!

A depressão constitui uma das formas clínicas de âmbito psicológico mais frequente no mundo atual. Para esta patologia, muito tem contribuído a forma de vida que a generalidade dos indivíduos adotou face a um mundo cada vez mais descaracterizado em termos sociais, familiares e até profissional, onde a exigência é cada vez maior face ao “EU”, sendo um dos maiores problemas do mundo desenvolvido.

Em termos estatísticos, face aos estudos realizados pela comunidade científica mundial, estima-se que uma em cada quatro mulheres e um em cada dez homens possam ter crises de depressão em alguma fase da sua vida e as crianças também podem ser afetadas. 

Existe sempre o risco de uma depressão poder passar despercebida, ou ser associada a outro tipo de patologia, uma vez que os seus sintomas podem atribuídos a outras causas (doenças físicas, stress, etc.).

Depressão significa em termos gerais, a inibição ou lentidão de uma ou várias funções psicofisiológicas, como por exemplo a nível alimentar, locomotor, ao nível do sono e da atividade sexual, entre outras.

A Depressão consiste na perda ou redução da capacidade vital do indivíduo para a realização das tarefas do dia a dia, dado que se instala um certo grau de desespero, que assenta sobre um sentimento aparente ou “invisível” de culpabilidade, que lhe faz perder o prazer de sentir e viver a própria vida.

É importante perceber que todos podemos estar tristes mas esses sentimentos são passageiros. No caso da depressão, ocorre interferência no dia-a-dia e um sofrimento intenso. Como tal, a depressão, embora seja uma doença comum, é uma doença grave e sobre a qual se deve agir com a maior rapidez possível.

Além do sintoma de tristeza generalizada que se “abate” sobre o indivíduo, que pode ser mais ou menos intenso, podem surgir outros sintomas como sejam o desinteresse por aqueles que o rodeiam (família, amigos, colegas de trabalho,…), pelo trabalho, pelo estudo, pela prática de atividade física,…..

Poderão também surgir outros sintomas de natureza psicológica, como sejam:

– A despersonalização (mudança de personalidade/comportamento face ao que é habitual);

– Ansiedade, sensações de irritabilidade, tensão ou agitação;

– Sensações de aflição, preocupação, receios infundados e insegurança;

– Diminuição da energia, fadiga e lentidão;

– Perda de interesse e prazer nas atividades do dia a dia (casa, trabalho, desporto,..);

– Perturbação do sono e do desejo sexual;

– Variações significativas do peso por perturbações do apetite (por exemplo a anorexia);

– Alterações da concentração, memória e raciocínio;

– Sentimento de culpa permanente;

– Sintomas físicos que não sejam provocados por outra doença (dores de cabeça, perturbações digestivas, dor crónica e mal-estar geral)

– Ideias de morte e/ou tentativas de suicídio

 A depressão afeta de um modo significativo o relacionamento interpessoal, seja a nível familiar, social ou profissional, tendo obviamente repercussões negativas no rendimento escolar, no trabalho, na vida familiar e em todas as atividades do doente, causando regra geral elevado sofrimento.

A depressão pode fazer parte da Doença Bipolar, na qual ocorrem episódios de depressão alternados com períodos de excitação e euforia. Nas fases eufóricas, a autoestima dos doentes está muito elevada com perda da noção da realidade.

 Muitos doentes com depressão não procuram tratamento, embora existam formas eficazes de tratar a depressão. Numa fase mais “aguda” da doença, a atuação farmacológica tem a sua importância de modo a diminuir os níveis de ansiedade e culpabilidade do indivíduo, evitando assim estados “limite”. Contudo paralelamente, o acompanhamento por parte de um psicólogo/psicoterapeuta, pode revelar-se de extrema importância com o intuito de levar o indivíduo, a perceber/refletir sobre  qual a “raíz” do problema, criando “defesas” para lidar com a situação e evitar futuros episódios com maior ou menor gravidade.

José Rodrigues Quintino

Psicologo – Docente Universitário – Partner do Uneeq Consulting Group – Diretor Geral da Psicohelp

Partilhe esta notícia