A Força da Palavra

As palavras são o que são e não devemos usá-las à toa.

A utilização de uma determinada palavra pode até ter significado político e contribuir para desinformar ou deturpar a realidade dos factos…

Em relação à questão dos refugiados que continuam a chegar à Europa todos os dias, aos milhares, vindos da costa africana ou do Médio Oriente… a terminologia utilizada oficialmente é chamar-lhes migrantes… às vezes até os representantes dos governos usam o termo imigrante… mas nunca usam a palavra refugiado, já repararam?

Enquanto essas pessoas forem consideradas migrantes, não passam de pessoas que saíram de um país para outro e, portanto, podem ser catalogados como viajantes ilegais e considerados uma ameaça social. Ficam assim sob a alçada da Lei interna de cada país e sujeitos à expulsão, encarceramento ou outra penalidade inscrita no código legislativo do país em questão.

Se o termo utilizado fosse a palavra refugiado, isso significaria que esses governos europeus reconheciam a essas pessoas a necessidade de fugirem da guerra, das perseguições políticas, religiosas ou étnicas… que é o que significa ser refugiado, alguém que tem o direito de fugir para salvar a vida. Neste caso, ficariam protegidos pela alçada legal das convenções internacionais que regem estas situações de conflito e calamidade.

Posto isto, compreendemos melhor a razão dos refugiados sírios ou somalis ou nigerianos ou iraquianos ou de outro país qualquer em guerra serem cinicamente considerados migrantes: é que na verdade os governos da Europa não querem assumir a responsabilidade de ajudar essa gente toda. E o que é mais triste é a comunicação social ir quase sempre atrás disto e papaguear este tipo de terminologia sem questionar.

 

Carlos Narciso

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