Inserida no conjunto patrimonial e natural da Mata da Machada, a Casa Machada é a solução, desenvolvida pelo consórcio QuickBuild, para servir de complemento e apoio às atividades dinamizadas pelo Centro de Educação Ambiental e, assim, permitir que mais pessoas, designadamente crianças, usufruam do pulmão da cidade.

Para o vereador do Ambiente da Câmara do Barreiro, Bruno Vitorino, a unidade de demostração do sistema QuickBuild, situada junto ao Centro de Educação Ambiental da Mata Nacional da Machada e Sapal do Rio Coina, à entrada dos mais de 385 hectares de uma das jóias do concelho é “um excelente cartão-de-visita” e um inequívoco demonstrador do produto desenvolvido pelo consórcio constituído pela Amorim Cork Composites, a Dreamdomus, a ECOCHOICE Think Energy e o ITeCons – Instituto de Investigação e Desenvolvimento Tecnológico em Ciências da Construção.

A casa de 50 metros quadrados, avaliada em cerca de cinquenta mil euros, nasceu, de acordo com o responsável da Amorim Cork Composites, Pedro Torres, “de o sonho de criar uma nova alternativa de habitação alicerçada na sustentabilidade, redução do desperdício em obra e na reciclabilidade dos materiais”.

Sérgio Almeida, da Dreamdomus, explicou que a o edifício foi edificado com “quatro homens, sem meios especiais, em quatro semanas”, enaltecendo que este sistema é uma solução segura, competitiva e económica que dá resposta uma série de problemas relacionados com a construção tradicional, designadamente problemas socioeconómicos, uma vez que “grande parte da população não consegue aceder de uma forma fácil à compra de uma casa, ficando, normalmente, preso durante uma vida inteira ao crédito bancário”.
Já a responsável da ECOCHOICE Think Energy, Liliana Soares, enalteceu o pouco impacto que a construção teve no local.

Relativamente ao consórcio que sonhou em conjunto a Casa Machada que atualmente está edificada na maior floresta do concelho do Barreiro – que representa cerca de dez por cento da área do município –, António Tadeu, do ITeCons, reconheceu que “há uns anos seria muito difícil juntar um conjunto de empresas em torno de um bom comum, devido aos interesses de cada uma das empresas que habitualmente não passavam por construir algo em conjunto”, realçando que as quatro entidades “aprenderam muito em conjunto” e que “mais do que uma casa” construíram uma “grande amizade”.

Para o responsável do pelouro do Ambiente, em alturas de dificuldade, os decisores têm sempre duas opções: “baixar os braços e dizer que não há meios financeiros e/ou humanos ou procurar novas soluções”. “Nós enquadramo-nos no segundo leque de pessoas, porque apesar de termos menos recursos humanos e muito menos recursos financeiros estamos a conseguir fazer mais ações e mais iniciativas”, salientou.

Bruno Vitorino adiantou que será lançado um plano estratégico para a Mata da Machada, que funcionará “como uma espécie de Plano Diretor Municipal (PDM) ”, alicerçado nas ideias, sugestões e nos contributos de diversas entidades. “O concelho do Barreiro vale não só pelo seu passado industrial e histórico, mas também pela riqueza da sua em termos de biodiversidade”, sublinhou o vereador, recordando que o projeto Lifebiodiscoveries, apresentado pela Câmara Municipal do Barreiro, no valor de 1,3 milhões de euros, foi um dos quatro projetos portugueses aprovados no âmbito do programa Life+, destinado a projetos ambientais tem permitido selar, de forma definitiva, o vínculo dos barreirenses com aquele espaço e envolver empresas e grupos de escuteiros de outros concelhos no combate às espécies invasoras ajudando a lançar o nome do município para além das fronteiras do próprio concelho.

O presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto de Carvalho, corroborou as palavras de Bruno Vitorino, frisando que “o futuro do Barreiro – não só do ponto de vista ambiental, mas também do ponto de vista do lazer, do turismo e da economia – é indissociável da Mata da Machada, do Sapal do Rio Coina e do Rio Tejo.

“É preciso continuar a trabalhar na preservação e na criação de condições na Mata e no Sapal para que as jóias do concelho possam ter no futuro uma importância ainda maior do que aquela que já têm no presente”, concluiu o edil.

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