A luz solar na zona de Santiago do Cacém está a ser alvo de um estudo pioneiro em Portugal, por investigadores da Universidade de Wuppertal, na Alemanha. E, de acordo com os primeiros resultados da investigação, apresentados esta quarta-feira, o concelho do litoral alentejano “poderá ser mesmo uma referência nacional em termos de benefícios na saúde e bem-estar provocados pela incidência da luz solar”.

O estudo está a ser desenvolvido, simultaneamente, em Santiago do Cacém e na Alemanha, com os resultados portugueses a superarem, inequivocamente, os registos alemães. De acordo com Sebastian Schneider, um dos investigadores responsáveis pelo estudo, os primeiros resultados demonstram que o Delta – diferença entre o azul e o vermelho – em Portugal “representa quase o dobro daquilo que se passa na Alemanha, o que permite concluir que há uma grande diferença entre a luz da manhã [azul] e a luz da noite [vermelho]”.

“Fizemos alguma pesquisa interessante em laboratório, na Alemanha, e depois soubemos da incidência diferente da luz em Santiago do Cacém. Os resultados preliminares vieram confirmar isso mesmo e até excederam as expectativas”, sublinhou Sebastian Schnieder. O investigador alemão explicou, durante a apresentação, que “a diferença entre a luz fria da manhã – a luz azul – e a luz quente da noite – a luz vermelha – é muito maior do que na Alemanha e isso deverá contribuir para que as pessoas em Santiago do Cacém tenham uma saúde melhor”. A curiosidade é grande a propósito dos resultados finais da investigação, que os investigadores alemães acreditam conseguir apresentar em fevereiro de 2015. Depois desta avaliação sobre a incidência da luz em Santiago do Cacém e na Alemanha, “o objetivo é também perceber, num próximo estudo, o comportamento individual das pessoas quando expostas a esta luz e quais são mesmo os benefícios ao nível da saúde e bem-estar”.

Para o Vereador da autarquia, Albano Pereira, a investigação “é benéfica” para o município, congratulando-se por Santiago do Cacém receber “um estudo desta envergadura”. O autarca mostrou-se ainda “muito mais feliz com os resultados”, sublinhando que daí poderão advir potencialidades “ao nível da saúde, do turismo e do empreendedorismo”.

Recorde-se que, desde o tempo da antiga Miróbriga romana, com templos e termas, hoje centro arqueológico em Santiago do Cacem, a luz nesta região é mencionada como diferente. Pela altitude sobre o mar, a distância para o Atlântico, a distribuição sobre montes e vales, acredita-se que a luz quebra-se no concelho do litoral alentejano “de forma própria”. É nesta linha que os responsáveis da universidade alemã − a mais evoluída neste domínio − justificam a pertinência da investigação e a escolha de Santiago do Cacém.

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