Há muito que o centro do concelho de Almada deixou de ser quintas e terrenos baldios. Nos anos 60, as quintas deram lugar a uma larga extensão de edifícios, viu nascer a Ponte Salazar e cresceu até aos dias de hoje mais 100 mil habitantes. Até aos anos 90, as ruas de Almada enchiam-se de alegria, os mercados vendiam e os residentes viam no concelho uma oportunidade de estar perto de Lisboa, mas ao mesmo tempo longe da confusão que a capital oferecia. Apesar disso, Almada não passava de um dormitório.

Nos anos 90 o estado central apostou no seu desenvolvimento através da construção de um Hospital, do comboio sobre o Tejo, na expansão de universidades e deu luz verde à construção do Metro Sul do Tejo.

Almada, pela sua génese, mas sobretudo pela sua proximidade da capital, pelos 20 quilómetros de extensão de praia, pela grandiosidade do Cristo-rei, pela beleza do Ginjal e da Trafaria, e por tantas outras atractividades naturais que temos, podíamos ser mais e melhores.

Este ano comemoramos os 40 anos das primeiras eleições autárquicas. Podemos e devemos, fazer uma retrospectiva. Em 40 anos a câmara de Almada não investiu no concelho e não aposta na atractividade de investimento, tendo criado ainda uma empresa municipal que afasta clientes e comerciantes. Almada não tem um verdadeiro parque empresarial como tem Oeiras ou Cascais. Almada tem um excelente transporte, mas matou-o à nascença com o seu traçado quando não o prolongou às praias da Costa da Caparica.

As más opções têm levado a que a Charneca e Sobreda também tenham ficado esquecidas no tempo. Por um lado orgulhamo-nos do verdadeiro pulmão do concelho, como a Reserva Botânica da Mata Nacional dos Medos ou do vasto património construído nos séculos passados. Por outro, esta freguesia é um pesadelo para quem a reside e a visita. Faltam-lhe passeios, tem péssimos transportes, tem maus acessos e os que tem, têm buracos.

O que está em causa é devolver o espaço às pessoas, devolver vida à cidade e fazer deste concelho, um concelho atractivo para quem queira investir e por sua vez criar emprego.

Almada, sempre foi reconhecida pelo seu passado activo, dinâmico e com espírito de luta, mas tudo isto parece esquecido através dos milhares de euros gastos diariamente em propaganda como cartazes, folhetos ou boletins municipais.

Almada rende-se hoje ao espírito de conformismo mesmo sabendo que apenas 16% da população recenseada vota na CDU.

É triste e lamentável porque todos sabemos que Almada pode mais.

Mas daqui a um ano os cidadãos terão na mão o poder de decisão.

Poderão eles desta vez fazer a diferença?

Paulo Sabino

Deputado Municipal do PSD

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