A candidata a líder da Federação Distrital de Setúbal do PS, em entrevista exclusiva ao Distritonline, sublinha que “a governação comunista gosta de apregoar boas contas, mas a realidade evidência o contrário”, uma vez que “boas contas são aquelas que servem para apoiar as famílias”. Em relação às eleições de 28 de setembro, a líder da bancada do PS na Assembleia Municipal de Almada está confiante que “as primárias vão ser um momento de grande afirmação do PS e da democracia”.

Ana Catarina Mendes está, pela primeira vez, na corrida à liderança da Federação Distrital de Setúbal, cujas eleições realizam-se no próximo dia 5 de setembro, sexta-feira, e contribuir para afirmar o distrito de Setúbal é o que a faz correr.

 

Distritonline [DO]: O que é que a levou a candidatar-se a presidente da Federação Distrital de Setúbal?

Ana Catarina Mendes [AM]: O distrito de Setúbal possui condições ímpares no contexto nacional, que lhe permitem aliar a qualidade de vida urbana, com a preservação ambiental e o desenvolvimento económico. O distrito de Setúbal precisa de ser projetado e retomar o seu lugar de motor do desenvolvimento do País. O PS é a única força política com visão para o distrito. Avancei para este desafio porque quero contribuir para afirmar o distrito de Setúbal.

DO: Que balanço faz do mandato da Madalena Alves Pereira enquanto líder distrital?

AM: Deixo esse balanço para os órgãos próprios do PS, que é o próximo Congresso e para a avaliação que os militantes farão individualmente dia 5 de setembro. No PS não tenho adversários, apenas camaradas.

DO: Na carta que dirigiu aos militantes do PS, admite que no distrito de Setúbal “há muito para fazer” e “há muito por que lutar”. Concretamente, ao que é que se refere?

AM: O Governo de direita fustigou este distrito e é responsável pelo aumento do desemprego, pelo retrocesso social e pelo abandono de projetos estruturantes para o desenvolvimento do País e do distrito. O Governo de direita destruiu a oferta de cuidados de saúde do distrito, parou a aposta na escola pública. Por outro lado, a governação comunista nas autarquias é inimiga do desenvolvimento apenas porque quer manter o seu reduto de poder. Há muito para fazer neste distrito, mas há também muito potencial: olhemos para o Porto de Sines e para a AutoEuropa, em Palmela, para dar apenas dois exemplos de como é possível criar valor para a economia neste distrito, e com isso promover o emprego.

Temos, igualmente, uma grande população do ensino superior, que vai desde o Polo Universitário de Caparica, ao Polo universitário de Setúbal, e há projetos muito interessantes de ensino superior no litoral alentejano. Nós temos as ferramentas, falta vontade política. Só o PS, com peso político, pode influenciar as transformações necessárias e operar neste distrito.

DO: Na última visita ao Barreiro, admitiu que em Setúbal existe “uma aliança pecaminosa entre o PCP e o PSD”. Como é que pretende, caso vença, potenciar o crescimento e a afirmação do partido socialista em Setúbal?

AM: O PS é o partido maioritário no distrito de Setúbal. Recordo que entre 1995 e 2009, o PS teve sempre entre sete a nove deputados do distrito. Por outro lado, sob a liderança de Alberto Antunes, chegámos a conquistar, simultaneamente, cinco câmaras municipais. E recordo que antes das últimas eleições autárquicas o PS tinha a maioria dos municípios do litoral alentejano. É preciso aproveitar a força de todos para voltar a crescer. Foi assim que em 1995 o PS iniciou no distrito um ciclo ascendente, que temos de retomar.

DO: Acredita que os resultados das últimas eleições autárquicas no distrito de Setúbal podem pesar a seu favor nas eleições?

AM: Os resultados das últimas eleições autárquicas não podem pesar a favor de nenhum socialista, porque quando o PS perde, perdem todos os socialistas e, pior, perdem as populações. Mas quero registar que nas últimas autárquicas, apesar dos resultados menos bons para o PS, o Nuno Canta mereceu a confiança da população do Montijo para iniciar um novo ciclo de governação do PS e o Nuno Mascarenhas venceu, pela primeira vez para o PS, as eleições em Sines. Dois grandes autarcas que nos vão ajudar a afirmar o projeto autárquico do PS no Distrito.

DO: O distrito de Setúbal, particularmente os concelhos de Setúbal e do Seixal possuem elevadas taxas de endividamento. Na sua opinião, o que é que deve ser feito para que estes casos sejam sanados?

AM: A governação comunista gosta de apregoar boas contas, mas a realidade evidência o contrário, não apenas nos casos que cita (Setúbal e Seixal), mas também noutros concelhos. Boas contas são aquelas que servem para apoiar as famílias. Já reparou que Câmaras, como as de Almada, nunca usaram o mecanismo de devolução de parte do IRS que podem dispor para ajudar as famílias na maior crise nos últimos 30 anos?

DO: Comparativamente à candidatura da Madalena Alves Pereira, o que considera que a sua candidatura trás de novo ao distrito de Setúbal?

AM: Não entro no campeonato da novidade. O meu percurso fala por mim e os militantes avaliarão em consciência.

DO: Os encontros que tem mantido, um pouco por todo o distrito, com militantes do PS no âmbito da apresentação da candidatura a líder da Federação de Setúbal, fazem-na acreditar na vitória?

AM: Estou confiante na vitória.

DO: Relativamente às eleições primárias do PS, esperava que António Costa avançasse com a candidatura depois da vitória do PS nas Europeias?

AM: O PS perdeu as europeias no distrito de setúbal. Este resultado integra-se numa vitória nacional que, reconhecidamente, soube a pouco, em particular para nós no distrito de setúbal que contámos eleger a Maria Amélia Antunes. Este resultado, aquém das expetativas dos socialistas, coloca a questão da capacidade de afirmação do PS. Não tinha nenhuma indicação de que António Costa avançaria, mas saudei desde a primeira hora a coragem para se disponibilizar para contribuir para a afirmação do PS. A onda de entusiasmo que a atitude do António Costa gerou nos socialistas e no País são bem a demonstração da necessidade do PS ter um líder com efetiva capacidade de mobilizar Portugal, construindo um projeto de esperança.

DO: Teme que o partido fique, de algum modo, descredibilizado perante a opinião pública e a oposição, particularmente o PSD, com a realização das primárias?

AM: O problema não são as primárias – ideia que defendi em 2011 e em 2013, sem sucesso. O que pode descredibilizar, não apenas o PS, mas a política, é a fulanização e o ataque pessoal. Mas estou convencida que as primárias vão ser um momento de grande afirmação do PS e da democracia.

 

 

.

Partilhe esta notícia