Nos últimos meses, os alertas dos economistas multiplicaram-se, pois segundo os mesmos a economia mundial pode estar a caminho de uma nova recessão o que, para muitos países, será a primeira depois de um longo período de crescimento contínuo. 

Segundo os especialistas a nível mundial existem oito economias em risco de entrar em recessão técnica : Alemanha, Itália, Reino Unido, Hong Kong, Singapura, Argentina, Brasil e México. Destas, a Alemanha – motor económico da Europa – concentra as principais preocupações dos economistas, sendo aquela que poderá ter maior impacto em Portugal.

Com base em todo este cenário pouco optimista, é essencial responder à “crise” com uma visão de médio e longo prazo. Há que não esquecer que Portugal vive há mais de vinte anos com défices externos sistemáticos, aumentando a dívida externa ano após ano.

Neste cenário, pouco optimista, o objectivo central da economia portuguesa deverá ser o reforço da competitividade das empresas que permita aumentar de forma sustentada as exportações, isto porque somente incrementando as exportações será possível garantir um equilíbrio no futuro das contas externas.

Nesta linha, só com o reforço da competitividade das empresas e o aumento das exportações será possível criar condições para um crescimento sustentado do emprego, sendo fundamental promover políticas públicas que possam contrariar a tendência verificada nos últimos anos de degradação das condições de funcionamento do mercado de trabalho.

Será importante que tomemos consciência que mais de 90% do tecido Empresarial português é composto por PME’S pelo que será necessário urgentemente que reforcemos a competitividade das mesmas. Não nos devemos esquecer também que estas Empresas são o motor da economia portuguesa e constituem a principal fonte das nossas Exportações, sendo as grandes responsáveis pelo crescimento ou não da nossa Economia e da criação de Emprego.

As PME empregam mais de 2.000.000 de pessoas, constituindo-se, assim, como um dos principais empregadores nacionais.

Será importante que, coloquemos as  PME no centro da política económica, através de um conjunto de medidas que permitam reforçar a sua capacidade financeira e incentivar o investimento.

Não devemos continuar (como tem sido apanágio nos últimos anos) em colocar a tónica nas grandes empresas e nos grandes projectos de investimento público, pois esta não será de certeza a solução. Temos que ter presente, que independentemente da possibilidade ou não de uma crise europeia/mundial, o grande desafio e objectivo de  Portugal, deve concentrar-se no aumento das exportações, pelo que é de extrema importância incentivar as Empresas para esse objectivo nacional.

Tendo em mente este objectivo, o grande mote das Empresas e obviamente dos seus Recursos Humanos deverá ser aumentar a produtividade, sempre tendo em mente um equilíbrio entre aquilo que são os objectivos de cada indivíduo e aquilo que são os objectivos das Empresas. Cada vez mais é necessário ter em mente que TODOS  os indivíduos tem objectivos profissionais de desenvolvimento, mas que paralelamente não podem descurar os objectivos das Empresas onde se inserem. Assim sendo, o grande desafio para as Empresas será dar a TODOS os colaboradores condições para estes poderem contribuir para o sucesso das Organizações em que se inserem, assentando o seu desempenho em processos de avaliação que possibilitem tomar consciência dos “pontos” a melhorar e das formas de evoluir.

Por outro lado, um dos aspectos mais importantes de sucesso actualmente passa por que cada indivíduo assuma que para ser competitivo, factores como a flexibilidade e a capacidade de adaptação são cada vez mais valorizados, estes aspectos são extensivos às Empresas, demonstrando assim que cada vez mais a lei da Selecção Natural de “Darwin” está actualizada e presente nos nossos dias.

José Vaz Quintino

Psicólogo – Docente Universitário – CEO da Psicohelp – Partner do UNEEQ Consulting Group

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