Ano novo, de novo

5,4,3,2,1,0… Ano novo. Finalmente chegamos a 2017. Os abraços e felicitações seguem-se num ritual que se repete ano após ano. As televisões transmitem as fanfarras e os fogos- de- artifício um pouco por todas as capitais do mundo. Momentos que nos enchem de esperança. A esperança de uma vida melhor. É nos momentos que se seguem a entrada no novo ano que fazemos as “promessas” do costume – este ano vou deixar de beber sumos com gás, este ano farei tudo para perder peso e chegar ao Verão com menos quilos, este ano vou-me esforçar mais para conseguir o emprego dos meus sonhos, este ano vou fazer aquelas férias de sonho com a família, a partir deste ano estarei mais íntimo de Deus e vou passar a ir a Igreja aos Domingos… À medida que os dias vão passando, estas “promessas” não passam disso, apenas “promessas” e lá estamos nós (de novo) a beber aquele sumo “proibido”, apanhados de novo a comer aquela sandes calórica de leitão, de novo a fazer “corpo mole” quando se trata de irmos a Igreja e desligar o despertador quando o assunto é levantar cedo.

Como já estamos no novo ano, damos connosco a fazer as mesmas coisas. Enquanto ajudava a preparar a mesa para a recepção ao novo ano – este foi o último ano que passei em casa – os próximos serão na presença do “autor da vida”, as televisões transmitiam imagens dos atentados em Istambul; o aumento da electricidade, água, luz, gás, renda, combustível, sumos com gás, o leitão – nosso amigo Tierry que o diga! Escaparam a “razia” as bifanas e as sandes de presunto; As mesmas críticas à arbitragem quando se perde; O sobe e desce do preço do crude a reboque das principais bolsas mundiais; O “crónico” conflito israelo-palestiniano que dura desde os tempos bíblicos; O demorado brexit; A falta de comprador para o Novo Banco; Esqueci-me de alguma coisa? Pensei comigo, mas o Ano que vamos entrar é mesmo novo? Parece que já estive por aqui a ver tudo isso. Parece-me tudo tão parecido. De repente as mesmas notícias. O mesmo mundo. Parece que há coisas que não mudam, como as guerras e os Chefes de Estado que teimam em agarrar-se ao poder, julgando-se imortais. O que não consigo perceber, porque não se explica, é por que razão o mundo costuma fazer sempre mais do mesmo a meia-noite do dia 31 de Dezembro – comer 12 passas e beber uma taça de champanhe, entrar com o pé direito no estabelecimento, entrar no mar e saltar 7 ondas, não usar roupas apertadas, fazer barulho com tampas e panelas, abrir a porta depois da meia-noite, comer lentilhas, usar roupa branca. Mas isso muda a direcção da vida de alguém? E porque o mundo não deixa de fazer as mesmas coisas mesmo sabendo que estas são prejudiciais? O porquê que levamos sempre para o novo ano o que não presta? Porque não mantemos o que é bom e deixamos o que é errado no ano anterior? Será que o que não presta também é bom para o mundo? Gostaria de saber quem de nós é que trás o que não presta na “bagagem” e teima em não deixar no ano velho. Porque não enterramos um ano com as suas mazelas e construímos um novo ano com coisas novas e maiores/melhores? Ao menos deixávamos o que não deu certo no ano velho.

Obs.: Cansei-me das notícias dos atentados, das lentilhas, do banho no mar, da roupa branca e das sementes na carteira para entrar no novo ano com “sorte”. Foi-me proposto por um amigo, não dar mais ouvidos a televisão e a visão do mundo nos próximos 12 meses – proposta prontamente aceite. Vou deixar de acreditar na “sorte”, “azar” e “destino”. Vou usar mais a minha fé, “livre”. No fim de 2017 estarei aqui para analisar se devia continuar a fazer as mesmas coisas e seguir o rasto do fogo-de-artifício ou se farei bem em olhar para o rasto do “autor da vida” e mudar de direcção.  Vou aceitar o desafio de fazer diferente – seguir uma nova visão.   E você? Vai deixar passar 12 meses e continuar a olhar para o fogo-de-artifício acreditando no poder das passas e das lentilhas?

Assina: Manuel Mendes

Gestor Imobiliário

PS (Post Scriptum): Manuel Mendes opta por escrever na antiga ortografia da língua portuguesa.

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