Ansiedade…

“Não consigo dominar

este estado de ansiedade

a pressa de chegar

p’ra não chegar tarde”

Estou além – António Variações

 

A ansiedade não é necessariamente um fenómeno patológico, mas sim uma função natural do organismo, que nos permite estar preparado para responder a uma situação nova ou uma situação que já conhecemos e que sentimos como ameaçadora. No entanto, quando a ansiedade atinge níveis elevados, de forma prolongada no tempo, sem que haja um estímulo que justifique essa reacção, pode tratar-se de uma situação patológica.

Tratar a ansiedade através da Medicina Chinesa não é um processo fácil, contrariamente à ideia generalizada que a acupuntura serve sobretudo para “acalmar”, “relaxar”.

Em primeiro lugar, transtorno da ansiedade é um termo ocidental, descrito na DSM V (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders) como preocupação excessiva, difícil de controlar, medo, inquietação, dificuldade em concentrar-se, irritabilidade, perturbações do sono, entre outros sintomas mais ou menos subjetivos.

Em segundo lugar, na literatura oriental não existe ansiedade enquanto patologia, trata-se sim de um sintoma relacionado com um padrão de desequilíbrio do organismo. Em Medicina Tradicional Chinesa tudo está em relação, não existindo separação entre corpo, mente e espírito. A ansiedade é um sintoma, de desarmonia de um dos cinco órgãos principais, que leva ao desequilíbrio dos aspectos mentais desse órgão.

Portanto, tratar um paciente com perturbação da ansiedade implica perceber o que está em desequilíbrio, realizar um diagnóstico preciso e aplicar as técnicas corretas. Logo, não existe um tratamento padrão. A acupuntura tem demonstrado ser bastante eficaz no alívio da ansiedade quando direccionada para o diagnóstico correto. O que quer dizer que o protocolo de acupunctura para dois pacientes com perturbação da ansiedade pode ser bastante diferente um do outro.

Realço ainda que o tratamento pela Medicina Chinesa não oferece curas milagrosas, livrando a pessoa de todas as patologias. Trata-se de um processo gradual e contínuo no sentido de restabelecer o equilíbrio/saúde, para o qual também contribuem outros aspectos do estilo de vida, como a alimentação, a actividade física, aspectos sociais e emocionais.

 

Ana Sequeira

Especialista em Medicina Tradicional Chinesa

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