Relatos emocionantes de um dia inesquecível para Alcácer do Sal. Antigos funcionários da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, moradores e população em geral, participaram esta terça-feira à noite no átrio da Câmara Municipal numa tertúlia para lembrar o dia 21 de abril de 1965, dia em que um violento incêndio destruiu por completo o edifício da Câmara Municipal.

Cinquenta anos depois do sinistro que ficou na memória dos Alcacerenses, foi inaugurada a exposição intitulada “Da Destruição da Memória ao Erguer das Cinzas”, que mostra pela primeira vez, atas e documentação municipal e algumas peças de mobiliário retirados do edifício no dia do incêndio.

A exposição é composta igualmente por objetos utilizados à data, tais como: Documentos, mas também pequenos objetos, peças de mobiliário, fotografias e equipamento de escritório que contribuem para traçar um retrato da época.

Para além destes objetivos, é possível ver nesta exposição as plantas do edifício antes e depois do incêndio, livros que foram recuperados (posturas, livros de registo de cartas de ordem precatórias, rogatórias e mandados expedidos), os telegramas de consternação enviados na altura para o atual presidente do município, (Carlos Xavier do Amaral) e alguns artigos e publicados na época na comunicação social sobre o incidente.

Na tarde de dia 21 de abril de 1965 “estava muito calor” testemunhou Laura Balona, antiga funcionária da Câmara Municipal, na altura com 20 anos de idade e que trabalhava na Secretaria da Câmara Municipal. “Na altura trabalhava no 1.º piso do edifício e apenas me apercebi de alguns colegas dizerem com alguma naturalidade que havia um incendi no sótão do edifício onde funcionava o arquivo municipal”. Laura Balona recordou ainda que nunca pensou que o incêndio destruísse o edifício que apesar de ser todo de madeira e a necessitar de obras era muito imponente. “Recordo-me depois de sairmos para a rua e da decisão do que levar, houve pessoas que saíram para a rua apenas com uma caneta na mão”, disse. Até ao incêndio se tornar incontrolável, houve ainda tempo para retirar muita coisa, tais como documentos, mobiliário e na altura até os processos do tribunal que funcionava no edifício foram todos retirados, lembrou ainda a antiga funcionária que ontem se emocionou ao reconhecer várias assinaturas em documentos que se encontram expostos, incluindo a sua própria assinatura. Uma hora foi o bastante para que se perdesse para sempre grande parte da memória de Alcácer do Sal. Os relatos da época falam de um “violento” e “pavoroso” incêndio. Uma verdadeira “catástrofe” que “consternou os alcacerenses e impressionou o país”, tanto mais que se traçaram paralelos com o fogo que havia destruído o Teatro D. Maria II, em Lisboa, apenas cerca de quatro meses antes, em 2 de dezembro de 1964. Vários testemunhos relatam que toda a população da cidade ajudou na retirada dos documentos e do mobiliário que se podia aproveitar. Após o incêndio, a reconstrução do edifício, da autoria do arquiteto Nereus Fernandes durou quatro anos, sendo oficialmente inaugurado a 24 de junho de 1969.

A mostra pode ser vista entre as 09h00 e as 17h00, até ao dia 24 de junho (data em que o edifício foi inaugurado, em 1969).

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