O Barreiro é um dos 26 municípios portugueses que aderiram, esta quinta-feira, ao projeto ClimpAdaPT.Local, que visa desenvolver estratégias municipais de adaptação às alterações climatéricas que vão afetar Portugal no futuro.

O ClimpAdaPT.Local resulta de um concurso lançado pela Agência Portuguesa do Ambiente e é financiado pela iniciativa EEE Grants, com verbas que vêm da Noruega, Lichtenstein e Islândia, através de um acordo com o Governo português.

Gil Penha-Lopes, responsável do ClimpAdaPT.Local, durante o lançamento do projeto, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, explicou que o sul da Europa e, particularmente Portugal, tem zonas muito vulneráveis às alterações climáticas. Para Penha-Lopes, os municípios devem adaptar-se às modificações decorrentes das alterações climatéricas porque só desta forma conseguem minimizar ou até mesmo suprimir problemas como cheias, inundações, erosões da orla costeira, secas, faltas de água, destruição de espécies, modificações na produtividade agrícola, problemas que afetam direta e indiretamente a saúde humana e determinados setores económicos, designadamente o turismo.

O projeto pretende capacitar os municípios portugueses a incorporar a adaptação às alterações climáticas nos seus instrumentos de planeamento e intervenções locais. “A ideia não é que as orientações estratégicas fiquem num dossiê esquecido, mas sim que sejam utilizadas como uma ferramenta de gestão da dinâmica territorial”, sublinhou o responsável, reiterando que as medidas de uma estratégia de adaptação podem tocar em praticamente todas as áreas da vida de uma autarquia, da revisão dos planos de ordenadamente à aplicação de medidas de eficiência energética.

O ClimpAdaPT.Local irá, numa primeira fase, analisar as vulnerabilidades atuais dos municípios face às alterações climáticas, nesse sentido as autarquias deverão entregar uma lista com todos os eventos relacionados, direta e/ou indiretamente, com o clima que enfrentaram pelo menos nos últimos cinco anos, quais foram as consequências, como é que responderam e quanto dinheiro gastaram. Posteriormente, serão, de acordo com o responsável do projeto, criadas fichas climáticas que projetam a curto, médio e longo prazo os impactos no futuro – podendo, inclusivamente, verificar-se que nos próximos anos as alterações climáticas irão, por si, resolver alguns dos problemas atuais do município, como é o caso do fim da geada – e, seguidamente, serão estudadas as medidas de adaptação.

Em fevereiro de 2016, o projeto prevê que as estratégias estejam finalizadas e irá, de acordo com o que está projetado, terminar em março, com uma conferência onde serão apresentados os principais resultados.

Com o objetivo de levar o projeto a bom porto, o ClimpAdaPT.Local irá promover formação prática a pelo menos 52 técnicos municipais, dois técnicos por autarquia. Segundo Gil Penha-Lopes, “o consórcio está a permitir, dentro das suas capacidades, o envolvimento de um maior número de técnicos, uma vez que esse envolvimento garante maior sucesso ao programa”.

Do programa fazem parte vários parceiros, designadamente a Quercus, o Instituto de Ciências Sociais, a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova, a Universidade de Aveiro, a Universidade dos Açores e três autarquias que já têm uma estratégia de adaptação às alterações climáticas: Sintra, Cascais e Almada.

Rui Lopo, vereador da Câmara Municipal do Barreiro, salientou que é “necessário que o programa tenha um engajamento dos municípios a todos os níveis, em primeira instância dos 26 que estão a elaborar estratégias e dos três que os vão ajudar e, posteriormente, exista um passar de palavra e de atitude aos restantes municípios, porque as alterações climáticas não são um problema do futuro, mas sim um aspeto do presente”.

Para o representante da autarquia do Barreiro, a capacitação dos quadros técnicos autárquicos é um dos aspetos mais importantes do programa, uma vez que garante “uma maior perenidade aos conteúdos”. No caso específico do Barreiro, a autarquia tem quatro técnicos nas formações, dois são integralmente financiados pelo consórcio e dois assistem às formações mas as despesas são da autarquia, no entanto, Rui Lopo defendeu que “as despesas são tão pouco expressivas que faz todo o sentido ir mais longe”.

“As conclusões deste projeto não devem apenas ficar escritas nos instrumentos de gestão do território, devem ser aplicadas no quadro de obra”, sublinhou, reiterando que investir na adaptação permite ao município poupar. Durante o seminário, o coordenador projeto Filipe Duarte Santos defendeu que por cada euro gasto em adaptação às alterações climáticas em Portugal os municípios poupam seis euros.

No final do Seminário de Lançamento do projeto, foi assinado um protocolo entre o consórcio do ClimadaPT.Local e as 26 autarquias que vão participar: Amarante, Barreiro, Braga, Bragança, Castelo de Vide, Castelo Branco, Coruche, Évora, Ferreira do Alentejo, Figueira da Foz, Funchal, Guimarães, Ílhavo, Leiria, Lisboa, Loulé, Montalegre, Odemira, Porto, Seia, São João da Pesqueira, Tomar, Tondela, Torres Vedras, Viana do Castelo, Vila Franca do Campo.

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