Um menor número em acidentes rodoviários no Concelho do Barreiro representa uma poupança de 370 mil euros /ano. Este valor, conforme sublinhou o Vereador da Câmara Municipal do Barreiro (CMB), responsável pelo Planeamento, Ambiente e Mobilidade, Administrador Executivo dos TCB – Transportes Colectivos do Barreiro, Rui Lopo, não é dissociável da existência do serviço de transportes públicos que cobre todo um  Concelho, que, conforme avançou o Presidente da CMB, Carlos Humberto de Carvalho, de acordo com vários dados recolhidos em estudos, entre o coletivo e o individual, a relação, no Barreiro, é mais favorável ao primeiro.

 

O número reduzido de acidentes rodoviários está intimamente ligado à circulação de autocarros, defendeu Rui Lopo: “Se as pessoas não andassem de autocarro andavam de carro, ou andavam pé e aumentavam o tráfego”.

 

Estes e outros números de um estudo considerado inovador foram apresentados na Conferência “Mobilidade Sustentável em Lisboa”, que decorreu na terça-feira, 20 de setembro, no Salão Nobre da Reitoria da Universidade de Lisboa, no âmbito da Semana Europeia da Mobilidade, que assinala, hoje, o seu Dia Sem Carros.

 

O Administrador dos TCB apresentou “dados científicos, técnicos, calculados para a nossa realidade local, melhorados com uma avaliação ambiental, social e económica”, que tentam responder à questão, “do facto de haver Transportes Colectivos do Barreiro, geridos pelo Município, quanto é que o Barreiro ganha com isso nestas três dimensões?”. O que se demonstrou, acrescentou, é que, de acordo com os resultados, conclui-se que “os transportes não são um custo mas um proveito, não são um problema mas uma solução”.

 

Rui Lopo concretizou: “Dos desafios societais que temos hoje em dia – mais economia local, responsabilidades sociais, sustentabilidade ambiental – conseguimos demonstrar que, pelo facto de gerirmos autocarros na nossa terra, temos externalidades positivas superiores ao dinheiro que investimos enquanto autarquia – um ativo imenso”.

 

O Administrador dos TCB sublinhou, ainda, a originalidade do trabalho agora apresentado: “Normalmente estes estudos não são feitos por operadores em funcionamento, mas para quem quer implementar um operador e fica com uns números; este, pelo contrário – nós agora já temos os Transportes Colectivos e vamos imaginar que deixamos de ter, quanto é que isso custa?”.

 

Necessidade de visão integrada do sistema de transportes/mobilidade

 

No evento, o Presidente da CMB e, simultaneamente, dos Serviços Municipalizados de TCB testemunhou a experiência de gestão, dando, deste modo, contributos e apresentando a visão sobre as questões da mobilidade em Lisboa e a necessidade de uma Área Metropolitana a assumir o papel de regulador do sistema.

 

“Hoje os TCB são autossustentáveis do ponto de vista financeiro”, disse Carlos Humberto de Carvalho, lembrando alguns destinos da rede em que se conta pelos dedos das mãos o número de pessoas transportadas nos dois sentidos.

 

No balanço da iniciativa, Carlos Humberto de Carvalho considerou o debate “proveitoso”. “O fundamental das intervenções foi de valorização do transporte coletivo”, “valorização muito grande do direito à mobilidade/mobilidade suave”, relevando a “importância das tecnologias, particularmente da bilhética”.

 

O Presidente da CMB salientou a “necessidade de se ter uma visão integrada do sistema de transportes, do sistema de mobilidade”.

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