A Coordenadora Distrital do Bloco de Esquerda, em comunicado, reitera que “a violência doméstica é um dos maiores flagelos da nossa sociedade”, designadamente no distrito de Setúbal.

Em 2014 sete mulheres no distrito de Setúbal foram assassinadas pelos companheiros. Para a responsável do BE estes casos espelham que “temos que “meter a colher”, ser definitivamente intolerantes para com a violência, mesmo que não nos afete”, acrescentando que “intervir, denunciar, apoiar e lutar pela erradicação da violência são deveres da cidadania e de uma sociedade decente”.

 

Leia o comunicado na íntegra:

A violência doméstica é um dos maiores flagelos da nossa sociedade que já levou este ano a 46 tentativas de homicídio e a 40 mortes em Portugal. O distrito de Setúbal é particularmente afetado por esta forma brutal de violência, contando o distrito já com sete mortes, que ficou assim com a pior cifra a nível nacional.

Os autarcas do Bloco de Esquerda do distrito de Setúbal apresentaram e fizeram aprovar moções contra a violência doméstica nas Assembleias Municipais de Almada, Seixal e Sesimbra e Assembleias de Freguesia de Amora, Corroios, União de Freguesias de Seixal, Arrentela e Aldeia de Paio Pires, União de Freguesias de Laranjeiro/Feijó e União de Freguesias de Charneca de Caparica e Sobreda.

Sabemos que muitas vezes as pessoas fingem desconhecer, tapam os olhos, evitam encarar e denunciar situações de violência que estão logo ali na casa ao lado, na rua por onde circulamos, dentro do elevador. Temos que “meter a colher”, ser definitivamente intolerantes para com a violência. Mesmo que não nos afete, intervir, denunciar, apoiar e lutar pela erradicação da violência são deveres da cidadania e de uma sociedade decente.

Em Portugal, só em 2013 foram registadas 27 318 participações de violência doméstica por parte das forças de segurança, segundo o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI). Também segundo dados do RASI referentes ao primeiro semestre de 2014, as polícias receberam 13 071 participações, ou seja, 73 queixas por dia, isto é, 3 queixas por hora.

Temos leis. Temos planos contra a violência de género. Mas não podemos tolerar o massacre que é a vida, as vidas de milhares e milhares de mulheres. A lei não basta; por isso, os membros da sociedade têm que intervir, denunciar e não fechar os olhos. A prevenção é fundamental, as campanhas, todos os meios que eduquem para o respeito, a não discriminação, a cidadania têm de ser constantes e eficazes. A justiça tem que ser rápida e tem que dar sinais claros de que protege as vítimas e pune os agressores.

Esta é uma luta que deve mobilizar todos os esforços políticos e sociais, com a qual o Bloco de esquerda está profundamente comprometido e por isso os autarcas do Bloco continuarão a levar o combate à violência doméstica a todas as autarquias do distrito.

A violência mata!

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