Os Caelum’s Edge formaram-se em 2012, no Barreiro, e são um grupo de Rock Espacial. Desde a sua criação já pisaram vários palcos importantes no panorama da música nacional, nomeadamente o Optimus Alive, atual NOS Alive, e o Hard Rock.

A banda composta por Pedro Correia (voz e guitarra), Diogo Costa (guitarra e teclado), Nuno Aparício (baixo) e Diogo Lopes (bateria) subiu ontem ao Palco das Marés, nas Festas do Barreiro, brindando os conterrâneos com um modelo de concerto diferente do habitual e com uma parte acústica que nunca haviam feito ao vivo.

Em declarações ao Distritonline, Pedro Correia, vocalista da banda barreirense, abordou o passado, o presente e o futuro dos Caelum’s Edge.

 

Distritonline [DO]: Como é que surgiram os Caelum’s Edge?

Pedro Correia [PC]: Surgiram de uma ideia que já tinha na cabeça e que queria pôr em prática: formar um projeto musical de Rock Espacial. A partir dessa ideia comecei a procurar pessoas para integrar a banda, algumas acabaram mais tarde por sair, e avançámos com a formação que está agora.

DO: O que é o Rock Espacial?

PC: Existem várias definições e facetas de bandas de Rock Espacial. Mas essencialmente, caracteriza-se pela temática do espaço que está presente em mais de 90% das coisas que nós fazemos, o que se traduz também nas nossas letras que falam do espaço e dos mundos novos. No Rock Espacial, o conceito de espaço também é interpretado de forma diferente, devido a isso procuramos que as pessoas sejam levadas a uma música em três dimensões, por intermédio dos efeitos que utilizamos, nomeadamente em termos de música eletrónica, através dos quais procuramos levar as pessoas a viajar.

DO: A paixão pela temática do espaço influenciou-vos na escolha do nome da banda?

PC: Sim, uma vez que Caelum significa céu, e com a palavra Edge pretendíamos deixar as pessoas a pensar se o céu tem ou não um limite.

DO: Nas décadas de 80/ 90 várias bandas do rock português eram oriundas da margem sul do Tejo. Ser do Barreiro influenciou-vos enquanto banda?

PC: Não diretamente enquanto banda, mas, provavelmente, influenciou-nos enquanto experiência musical, uma vez que no Barreiro sempre foi comum as pessoas criarem as suas próprias bandas. Eu próprio, antes dos Caelum’s Edge, já tive envolvido noutros projetos musicais e a maior parte desses projetos eram do Barreiro.

DO: E o que é que o Barreiro tem que potencia o aparecimento de vários projetos musicais?

PC: Sinceramente, não sei. Mas acredito que as pessoas acabaram por ir atrás do espírito de iniciativa umas das outras e, por outro lado, os incentivos que existem no Barreiro potenciam o aparecimento de novas bandas.

DO: Atuaram dois anos consecutivos no Optimus Alive, atualmente denominado Nos Alive, como é que classificam a experiência de atuar num dos maiores festivais portugueses?

PC: Foi inesquecível, é uma experiência diferente, aprende-se muito e damo-nos a conhecer, o que acaba por ser muito importante para a banda, não só em termos de currículo, mas também de motivação, dá-nos vontade de continuar a trabalhar e a evoluir. Agora esperamos estar lá outra vez para o ano.

DO: Como é que justificam que apesar de se terem formado apenas em 2012 tenham evoluído tanto e em tão pouco tempo no panorama da musical nacional?

PC: Tudo o que conseguimos até agora foi com muita luta e muita dedicação, ensaiamos e trabalhamos para a banda diariamente e não a encaramos como um mero hobby. Por outro lado, procuramos estar sempre a par de concursos que possam dar a conhecer o nosso nome. Foi através da nossa participação em concursos que atuamos no Hard Rock, várias vezes, e nos últimos dois anos no Optimus Alive.

DO: Com a vitória no EDP Live Band, para além de tocarem no NOS Alive, ganharam a oportunidade de gravar um cd pela Sony Music. Em que fase está o novo álbum?

PC: Ainda estamos à espera de iniciar as gravações. Contudo, já temos várias ideias e músicas terminadas que serão, à partida, integradas no álbum.

DO: Em comparação com o EP New World, lançado em 2012, existirão diferenças?

PC: Penso que não existirão diferenças substanciais, até porque o nosso primeiro EP tinha apenas quatro músicas e foi lançado com o intuito de divulgar o nome da banda. Não queremos distanciar-nos muito desse trabalho, vamos ter músicas novas mas dentro do mesmo estilo, mantendo a nossa identidade enquanto banda, para que as pessoas oiçam e identifiquem-nos, imediatamente, com o que estão a ouvir.

DO: E em relação ao futuro, qual é o vosso limite?

PC: Não temos limites, se pudermos vamos tocar a Marte.

DO: Como é que foi subir ao Palco das Marés no Barreiro?

PC: Atuar no Barreiro é uma experiência diferente, porque por um lado sentimo-nos em casa o que nos dá uma motivação, sem dúvida, maior. Por outro lado, estão mais pessoas a assistir que nos conhecem e, por isso, sentimos uma maior responsabilidade para fazer tudo certinho.