O Presidente da Câmara Municipal de Santiago do Cacém, Álvaro Beijinha, manifestou o seu repúdio para com a dispensa de 697 trabalhadores do Instituto da Segurança Social (ISS) por parte do Ministério da Solidariedade, Trabalho e Segurança Social, com particular preocupação para com a colocação, neste lote, da Presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Santiago do Cacém, Maria Adélia Silva.

Álvaro Beijinha sublinha o “trabalho altamente meritório” de Maria Adélia Silva na CPCJ de Santiago do Cacém, cargo que acumula com a presidência da CPCJ de Sines. Aquilo que o Governo define como “requalificação”, coloca em causa “todo um trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, que como se sabe está relacionado com crianças e jovens que estão em situações de risco”. Com a medida anunciada, Maria Adélia Silva “deixa de ser presidente da CPCJ” e fica comprometido “um trabalho decisivo na prevenção e nas medidas de acompanhamento em casos de maus-tratos e outras situações. Estamos a falar de dezenas e dezenas de processos”, alerta o Presidente da CMSC, lamentando esta agitação numa Comissão que se encontrava “estável” e lembrando que a instabilidade agora gerada “não é de todo desejável para o tipo de serviço que é prestado”.

As preocupações adensam-se, nesta fase, pela previsível dificuldade em encontrar um(a) substituto(a) para Maria Adélia Silva. “O processo de presidência da CPCJ, no passado, não tem sido nada pacífico. Não há, da parte de quem integra as comissões, a disponibilidade necessária para um trabalho que é muito exigente”. Estas preocupações já foram transmitidas por Álvaro Beijinha à Diretora da Segurança Social do Distrito de Setúbal, Ana Clara Birrento. “Manifestámos a nossa total discordância, mas fundamentalmente a nossa indignação sobre todo este processo. Sei que neste momento há já uma onda de solidariedade entre todos os conselheiros da CPJC e que o processo de eleição do novo presidente da CPCJ da Santiago do Cacém vai ser difícil, muito complicado mesmo, e não sei se a curto prazo teremos uma solução”, explicou.

O facto de as autarquias não terem sido ouvidas neste processo merece ainda mais repúdio de Álvaro Beijinha. “Fomos apanhados desprevenidos e não foram tomadas as medidas necessárias para acautelar este tipo de situação”. O Presidente da CMSC entende ser “lamentável que o governo, uma vez mais, tente acabar com serviços de proximidade. Neste caso não se está a acabar com o serviço, mas retira-se alguém que tem um papel absolutamente decisivo na sua prestação”, acusando a tutela de adotar “uma política que não olha para as pessoas, mas sim fundamentalmente para os números”.

Álvaro Beijinha espera que “ainda possa imperar o bom senso e que todo este processo seja revertido, para que a Dra. Maria Adélia Silva possa continuar a presidir (e bem) à CPCJ de Santiago do Cacém”, deixando também uma palavra de solidariedade para todos aqueles que se encontram nesta situação um pouco por todo o país. “Estamos a falar de pessoas que deram muito ao serviço público e que agora são enviadas para casa, com o argumento de que não fazem falta, neste caso ao serviço que a Segurança Social presta, o que do ponto de vista humano e social é algo que devemos reprovar”, criticando ainda “a forma como as pessoas foram tratadas, sem aviso prévio, tendo sido chamadas de um dia para o outro e dando-lhes uma notícia desta natureza”.

Já na semana anterior, a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL), que junta os municípios de Alcácer do Sal, Grândola, Odemira, Santiago do Cacém e Sines, tinha condenado esta decisão governamental e alertado para o facto de estar em causa a continuidade da prestação de serviços, bem como a qualidade dos mesmos.

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