“A Santa Casa da Misericórdia de Setúbal precisa de uma mudança, uma mudança que deve ocorrer para permitir que a instituição dure mais anos, para reforçá-la e para dar-lhe mais força”, afirmou Nuno de Carvalho esta quarta-feira à noite, no discurso de apresentação da candidatura a Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Setúbal, depois de agradecer às dezenas de pessoas que marcaram presença na Casa da Baía, em Setúbal.

O empresário sadino defendeu que a Santa Casa da Misericórdia deve dar atenção aos seus efetivos pilares, irmãos, colaboradores e utentes, ou seja, aqueles que “permitem que a instituição cumpra a sua missão”.

“Os irmãos podem ter uma atenção melhor, os utentes um serviço melhor e os colaboradores uma melhor política de recursos humanos”, defendeu Nuno de Carvalho, enaltecendo que é possível “fazer mais e motivar mais as pessoas”, sem que para isso seja necessário “fazer novos investimentos”.

À luz do que acontece noutras misericórdias, o candidato a Provedor considera que o próximo ciclo de vida da instituição deve priorizar a elevação da qualidade dos serviços prestados aos irmãos, oferecendo, entre outros serviços, “condições especiais nas tabelas de preços, prioridade especial e horários dedicados e alargados no atendimento aos irmãos”.

Nuno de Carvalho não coloca de parte a possibilidade da Santa Casa da Misericórdia colaborar, diretamente, com o Hospital de Setúbal e outras instituições, criando uma rede de apoio domiciliário privado que consiga responder às necessidades da população mais idosa.

“A cantina da Misericórdia também poderá, porque tem condições para tal, fornecer refeições a um preço mais reduzido a quem precisar”, sugeriu o antigo vice-provedor da Santa Casa de Setúbal, sublinhando que as instituições devem-se “adaptar às necessidades das famílias”.

A médio-longo prazo, Nuno de Carvalho defendeu que a Misericórdia de Setúbal deve “apontar para voos maiores”, dando como exemplo o facto de algumas Misericórdias nacionais prestarem atualmente serviços de saúde acessíveis a cidadãos estrangeiros, procurados, sobretudo, por cidadãos oriundos de diversos países europeus.

Em relação aos colaboradores, o empresário sugeriu que deveria existir “um plano de carreiras, incentivos ao desempenho e regras iguais na progressão”, porque só motivando os colaboradores é que a Santa Casa da Misericórdia de Setúbal pode oferecer “mais e melhores serviços”.

Nuno de Carvalho explicou que este é um projeto assente na transparência e na confiança. “A confiança é crucial quando recorremos a serviços da Misericórdia, nomeadamente quando entregamos ao cuidado da instituição um familiar nosso ou quando fazemos doações para que ela continue a desenvolver o seu trabalho social”, justificou.

Para o empresário, “é necessário ter relações saudáveis com a administração local, nomeadamente com a autarquia; é necessário ter relações saudáveis com as entidades públicas; é necessário ter uma relação saudável com Governo e, por isso, qualquer tipo de tendência, pensamento ou ideologia que contrarie esta ideia não é bem-vinda na Misericórdia, porque a instituição que tem de ser isenta e, necessariamente, transparente”.

O presidente da Comissão Política da Secção de Setúbal do Partido Social-Democrata (PSD) aproveitou ainda a Sessão de Esclarecimento para realçar que a candidatura a Provedor ultrapassa “qualquer tipo de opção política, qualquer tipo de interesse económico e qualquer tipo de preocupação de outra ordem que as pessoas podem ter”.

“Todos nós – quer enquanto cidadãos de setúbal, quer enquanto irmãos de Setúbal – temos uma participação cívica e essa participação pode ser manifestada em diversas situações, mas, acima de tudo, a Misericórdia de Setúbal diz-nos algo a todos, porque tem um interesse e uma utilidade que temos que marcar pela positiva”, afiançou.

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