No passado sábado, dia 14 de Fevereiro, a Vila de Canha assinalou os 843 anos do seu primeiro Foral com uma sessão comemorativa de homenagem e exaltação da Vila e da sua população, organizada pela Comissão Comemorativa do Dia da Vila de Canha, no Salão da Santa Casa da Misericórdia de Canha. A cerimónia contou com inúmeros convidados, autarcas, entidades oficiais, fregueses e amigos da vila de Canha.

Para além dos momentos musicais proporcionados pela Banda Filarmónica da Escola de Música da Casa do Povo de Canha, o Dia da Vila de Canha contou com a exibição de um vídeo com entrevistas realizadas a fregueses que recordaram Canha de outrora. O momento alto da cerimónia foi, sem dúvida, a homenagem a Ana Henriqueta Martins, diretora da Casa do Povo de Canha.

Incomparável, imparável, lutadora e guerreira defensora do que é justo e correto, com um coração maior que ela mesma foram alguns dos elogios atribuídos à homenageada.

Ana Henriqueta, carinhosamente apelidada de Dona Ana, nasceu, cresceu, casou e continuou a viver em Canha. Dedicou 40 anos da sua vida ao ensino, na herdade do escatelar, e na Escola Básica de Canha. Nesta última, ensinou durante vinte anos e acumulou as funções de diretora da escola. Também deu aulas, à noite, a adultos.

Em 1989, há 25 anos, assumiu o cargo de direcção da Casa do Povo de Canha. Em 1996 quando se aposentou começou a dedicar os seus dias em exclusivo à Casa do Povo, instituição que até hoje preside em regime de voluntariado. É, ainda, membro da comissão fabriqueira da igreja da Nossa Senhora da Oliveira e foi membro fundador da Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Canha durante 21 anos, ocupando o cargo de presidente da Assembleia geral.

O presidente da Comissão Governativa da Vila de Canha, Vasco Maia elogiou a plateia cheia, sublinhando que é o gosto pela vila que reúne as pessoas “ Ser de Canha não é nascer na vila, ou ter ascendência nas últimas gerações desta vila. Ser de Canha é também quem veio para cá e fez desta terra a sua casa”, disse.

“Somos pessoas gratas, sentimos gratidão por aqueles que preservam os nossos valores, as nossas raízes, e a decisão de homenagear pessoas que se entregam, sacrificam-se e fazem pela sua terra é a nossa forma de agradecer o que nós somos” referiu Vasco Maia.

O presidente da Câmara Municipal do Montijo elogiou “ a capacidade dos canhenses para se unirem e revigorarem como vila, fazendo da resistência, da decisão e da ambição um meio para ultrapassar as dificuldades e construir um futuro com esperança”.

O autarca manifestou-se preocupado com o despovoamento e o envelhecimento da povoação, a escassez de postos de trabalho e o abandono do interior, sublinhando que a Câmara Municipal do Montijo “está a trabalhar na revisão do seu Plano Diretor Municipal, que queremos finalizar neste mandato, o qual propõe para a vila de Canha cinco objetivos estratégicos: atrair mais habitantes, captar mais investimento, incentivar a reabilitação urbana, qualificar o espaço público e melhorar o ambiente”.

À noite, no Salão da Santa Casa da Misericórdia de Canha, houve, ainda, a atuação do Rancho Folclórico e Etnográfico de São Sebastião de Canha e um baile.

Recorde-se, que a Freguesia de Canha é a mais antiga localidade do concelho do Montijo. A sua primeira Carta de Foral foi outorgada em 1172 por D. Afonso Henriques, da qual só há menções no seu segundo foral de 1235, de D. Paio Peres Correia. Possuiu autonomia administrativa enquanto sede de concelho do mesmo nome até 1838, data em que passou a fazer parte do concelho de Aldeia Galega, atualmente Montijo.

O Dia da Vila de Canha contou o apoio da Junta de Freguesia de Canha, da Casa do Povo, dos Bombeiros Voluntários de Canha, da Santa Casa da Misericórdia de Canha e da Guarda Nacional Republicana.

Partilhe esta notícia