Carta aos Montijenses

No último ano deste primeiro mandato como vosso Presidente da Câmara e num tempo de muitas esperanças, quero afirmar perante vós que continuamos a lutar pelo projeto político que sufragaram nas últimas eleições autárquicas, para assegurar à nossa terra o papel que esperamos dela e para contribuir todos os dias com uma prática política de defesa intransigente do interesse público e da ética republicana.

Escolhi este meio para comunicar convosco e escrever-vos da maneira mais direta possível, sem intermediários, para esclarecer as decisões que influenciam a nossa vida coletiva.

Escrevo-vos esta carta na esperança de que todos a possam ler.

É consabido que a oposição decidiu votar contra a proposta de orçamento municipal e do mapa de pessoal para o próximo ano, evocando uma maioria negativa de bloqueio pela coligação entre o Partido Comunista Português (PCP), o Partido Ecologista “Os Verdes” (PEV) e o Partido Social Democrata (PSD), com o objetivo de instabilizar e perturbar o bom funcionamento da Câmara Municipal do Montijo.

Entendo mesmo que a decisão da oposição de convocar uma maioria negativa de bloqueio contra o orçamento e o mapa de pessoal, é uma tática política para impedir que possamos cumprir os nossos compromissos livremente sufragados pelo povo e constitui um ato irresponsável contra a democracia, contra o poder local democrático, contra o Montijo e os Montijenses.

É com perplexidade que vemos aqueles que são incapazes de uma proposta construtiva, desesperados com o trabalho dos autarcas socialistas, a desinteressarem-se pelos problemas do Montijo e a estarem unicamente interessados em jogos eleitoralistas dos seus partidos.

Sou um democrata que acredita na democracia, por isso, recuso a visão imediatista e conjuntural dos partidos da oposição que, exclusivamente por puro obscurantismo político, colocam em causa os superiores interesses do Montijo e dos Montijenses.

Apesar de todos os obstáculos que nos têm criado, em resultado de uma postura intransigente das oposições que nos tem condenado a atrasos sucessivos, temos interpretado com serenidade, bom senso e responsabilidade o mandato recebido dos montijenses.

Os montijenses sabem que, num período de conjuntura muito difícil para os municípios portugueses, temos as contas em dia. Pagamos na hora todos os compromissos assumidos com fornecedores e empreiteiros, não temos dívidas de curto prazo e reduzimos muito as dívidas de longo prazo, continuamos a baixar os impostos municipais, recuperámos os fundos comunitários e praticamos uma gestão de rigor, transparente e competente.

Os documentos orçamentais apresentados proclamam a escola pública, a coesão social, a integração territorial e os investimentos contratados nos financiamentos comunitários do Portugal 2020. Investimentos que considero fundamentais para o futuro, como a Casa da Música Jorge Peixinho, o corredor verde do Pocinho das Nascentes, a eficiência energética das Piscinas Municipais, a recuperação das escolas básicas Luís de Camões e Joaquim de Almeida, a ciclovia do ramal do Caminho-de-Ferro, a requalificação da Praça 1º. de Maio e Largo do Guitarrista, o Polidesportivo de Sarilhos Grandes e as ruas do Bairro da Bela Colónia.

É um documento que afirma que uma terra com integração social tem que ser, acima de tudo, uma terra de educação, uma terra de conhecimento, uma terra de cultura, uma terra que assume a sua vocação de abertura enquanto território que se funda em valores e tradições.

No ano em que se comemoram os 40 anos das primeiras eleições autárquicas livres e universais, temos orgulho em continuar o seu legado, mantendo uma postura de diálogo e convergência com os partidos da oposição, no âmbito da Lei do Estatuto do Direito de Oposição. Por isso é absolutamente injustificável que os partidos da oposição, a CDU (o PCP e o PEV) e o PSD, em conjunto, queiram prejudicar o Montijo e o seu povo, os homens e as mulheres que diariamente fazem a grandeza da nossa terra.

Temos a responsabilidade coletiva de contribuir para um Montijo mais justo, em que todos os cidadãos, seja qual for a sua raça, género e credo, possam ter a oportunidade de viver uma vida digna.

Temos de garantir a tolerância e o diálogo, a prosperidade da nossa economia local e a defesa dos nossos valores e tradições.

São grandes os desafios que temos diante de nós. Estou convicto que os saberemos vencer em conjunto convosco, se soubermos conjugar esforços e reforçarmos a coesão na luta pelos interesses do Povo do Montijo.

Com os meus melhores cumprimentos,

 

Montijo, Paços do Concelho, novembro de 2016

 

O Presidente da Câmara Municipal do Montijo

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