A canção de Zeca Afonso serve de mote para uma mostra de cartazes de protesto do arquivo Ephemera, um espólio único pela primeira vez trazido a público no Barreiro, uma exposição com curadoria de José Pacheco Pereira e Helena Sofia Silva.

 

O Que Faz falta é Agitar a Malta — Cartazes do Arquivo Ephemeraé uma mostra de cartazes contemporâneos, de iniciativa espontânea e natureza artesanal, hoje conservados no arquivo Ephemera – Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira. Primeiro momento de um programa que culminará em 2019 na Porto Design Biennale, com uma exposição mais ampla e documentada sobre artefactos gráficos produzidos no contexto de acções de protesto, esta mostra apresenta este espólio único no armazém que o Ephemera ocupa na Baía do Tejo, Parque Empresarial do Barreiro, no complexo da antiga CUF.

Associando simbolicamente o território industrial da Margem Sul, estreitamente ligado à história das lutas operárias, e as comemorações do 25 de Abril, a abertura temporária do armazém ao público representa não só um momento de partilha — de um acervo, de uma actividade, de memória colectiva — como uma chamada à participação no esforço de recolecção destes objectos. À dimensão simbólica já apontada soma-se o facto de este ano se assinalarem os 50 anos do Maio de 68, contexto de experiências singulares de comunicação gráfica como a que se viveu no Atelier Populaire, ainda hoje modelo formal, discursivo e de dinâmicas de produção colaborativas.

A exposição, que inaugura na terça-feira, 24 de Abril, pelas 17 horas, no Parque Empresarial do Barreiro, tem curadoria do historiador, professor e politólogo José Pacheco Pereira e de Helena Sofia Silva, docente e investigadora em Design.

A exposição O Que Faz falta é Agitar a Malta — Cartazes do Arquivo Ephemera assume-se como a primeira iniciativa da parceria estabelecida entre a Baía do Tejo e a Ephemera, que prevê o desenvolvimento regular de actividades culturais, abertas e disponíveis à comunidade. Consolida-se também desta forma o cluster de indústrias criativas e da área do conhecimento que a Baía do Tejo tem vindo a promover nos seus parques.

Com cerca de 200.000 títulos, o arquivo/biblioteca Ephemera tem como objectivo divulgar os espólios, acervos, livros, periódicos, manuscritos, panfletos, fotos, objectos que pertencem ao arquivo pessoal de José Pacheco Pereira, tornando-os acessíveis a todos. Pelos seus objectivos e pela sua acção, é considerado o arquivo privado mais público de Portugal. Recolhe, trata, inventaria e divulga materiais — documentos, cartazes, imagens, fotografias, objectos, depoimentos… — sobre a história cultural, social, económica e política de Portugal e internacional, com enfoque nas manifestações, protestos e formas de conflito social e político, matéria de que trata a exposição agora apresentada no Barreiro.

 

Como expressões de protesto e resistência, os cartazes que agora se dão a conhecer representam a contribuição do cidadão comum, muitas vezes anónimo, para a vida política e democrática, constituindo-se como documentos de uma história do povo, a ser escrita também a partir deles. Representam a necessidade de dar eco a uma voz, de a inscrever no discurso público, de traduzir uma revolta, de reclamar visibilidade. Representam urgências e intensidades, pelo que muitos deles não são mais do que inscrições tensas e rápidas sobre suportes toscos, improvisados, literalmente recuperados do lixo no rescaldo das manifestações onde se levantaram.

O Que Faz falta é Agitar a Malta é verso de uma canção de intervenção de Zeca Afonso, um dos muitos que se podem ler nos cartazes produzidos pelo colectivo As Toupeiras para homenagear a memória da Revolução de Abril, convocando histórias, personagens e o entusiasmo de tantas outras revoluções que ambicionaram mudar o mundo. Emergindo como as toupeiras, malta agitada tem-se movido contra a austeridade, a desigualdade, a exploração petrolífera, o assédio sexual ou os trágicos incêndios do último verão. E isso faz muita falta.”

José Pacheco Pereira e Helena Sofia Silva, curadores

 

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O Que Faz falta é Agitar a Malta — Cartazes do Arquivo Ephemera

Rua 48, Armazém 3

Baía do Tejo, Parque Empresarial do Barreiro

https://goo.gl/maps/LjXtEiFA9cU2

 

datas

24 ABR, 17:00 — inauguração
Rua 48, Armazém 3, Baía do Tejo, Parque Empresarial Barreiro
 
29 JUN, 17:00 — conversa com curadores e convidados antecedida de visita guiada à exposição
Auditório do Museu Industrial da Baía do Tejo
 
30 JUN — encerramento
Rua 48, Armazém 3, Baía do Tejo, Parque Empresarial Barreiro

 

visitas
sábado — 15:00–19:00
sexta a domingo — 15:00–19:00
c/ marcação: ritamaltez4@gmail.com | 932491039

entidades promotoras

Ephemera – Biblioteca e Arquivo de José Pacheco Pereira

esad—idea, Investigação em design e Arte

Baía do Tejo

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