O dia 21 de Abril de 1965 ficou na memória dos Alcacerenses. Pouco depois das 15h00, deflagrou um incêndio no arquivo da Câmara Municipal de Alcácer do Sal, no sótão do edifício. Uma hora foi o bastante para que se perdesse para sempre grande parte da memória de Alcácer do Sal. Os relatos da época falam de um “violento” e “pavoroso” incêndio. Uma verdadeira “catástrofe” que “consternou os alcacerenses e impressionou o país”, tanto mais que se traçaram paralelos com o fogo que havia destruído o Teatro D. Maria II, em Lisboa, apenas cerca de quatro meses antes, em 2 de dezembro de 1964. Vários testemunhos relatam que toda a população da cidade ajudou na retirada dos documentos e do mobiliário que se podia aproveitar.

Cinquenta anos depois no próximo dia 21 de abril, a Câmara Municipal de Alcácer do Sal, quer relembrar este acontecimento com a inauguração, às 21h00, de uma exposição totalmente inédita composta por documentos e objetos à guarda do Arquivo Histórico Municipal, complementados com outros resultantes da investigação levada a cabo para o efeito.

A exposição intitulada “Da Destruição da Memória ao Erguer das Cinzas”, vai mostrar pela primeira vez, após o incêndio, atas e documentação municipal e algumas peças de mobiliário retiradas do edifício no dia do incêndio. A exposição é composta igualmente por objetos utilizados à data, tais como: Documentos, mas também pequenos objetos, peças de mobiliário, fotografias e equipamento de escritório que contribuem para traçar um retrato da época. Podemos ainda ver nesta exposição as plantas do edifício antes e depois do incêndio, livros que foram recuperados (posturas, livros de registo de cartas de ordem precatórias, rogatórias e mandados expedidos (crimes). Os telegramas de consternação enviados na altura para o atual presidente do município, (Carlos Xavier do Amaral), também vão estar expostos na mostra, assim como os recortes das fotografias dos artigos que foram publicados no “Diário de Notícias”, no trissemanário “O Setubalense” e “Voz do Sado”.

A iniciativa é seguida de uma tertúlia que se realiza na entrada do edifício da Câmara Municipal, que junta antigos trabalhadores da autarquia, bombeiros e moradores da zona que presenciaram o fogo e que vão testemunhar o dia que marcou Alcácer do Sal. O objetivo é lançar uma luz sobre o grande incêndio de 1965, que destruiu quase por completo o edifício dos Paços do Concelho, que agora acolhe estes eventos. A exposição, passa em revista os impactos de um sinistro que teve projeção nacional, as consequências para a atividade municipal e a vida da cidade, bem como os esforços e peripécias inerentes à reconstrução do edifício, até à inauguração de um espaço modernizado e luxuoso, embora “lar” de uma câmara com parcos recursos. Após o incêndio, a reconstrução do edifício, da autoria do arquiteto Nereus Fernandes durou 4 anos, sendo oficialmente inaugurado a 24 de junho de 1969.

A mostra, pode ser vista entre as 09h00 e as 17h00, até ao dia 24 de junho, data em que o edifício foi inaugurado, em 1969.

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