É daquelas pessoas que depois das refeições principais continua a pensar em comida, por exemplo, algo doce ou salgado para aconchegar o estômago? E durante a noite costuma dar um “miminho” a si próprio(a), antes de se deitar? E quando se sente sob stress ou outra tensão, costuma ingerir algum alimento para acalmar esse estado de espírito?

Se a resposta a alguma das questões anteriores for afirmativa é possível que ao longo da sua vida tenha experienciado a sensação de fome emocional, a qual assenta em estímulos psicológicos que levam a mente a pedir comida que o organismo não necessita. Contrariamente à fome física, a fome emocional despoleta pensamentos contínuos, e por vezes violentos, por comida, assim como provoca a desregulação do apetite e despoleta sentimentos de culpa, nomeadamente, quando se reconhece que a ingestão dos alimentos foi desnecessária.

Para combater eficazmente a fome emocional é importante sermos capazes de distinguir a fome física da fome emocional, por um lado, para nos treinarmos a comer quando existe a necessidade real do organismo repor o equilíbrio nutricional (fome física) e, por outro lado, evitar reagir a desejos intensos e súbitos por comida (fome emocional), que mais facilmente levam o organismo a acumular as calorias extra.

De um modo geral a fome emocional surge de forma repentina, assim como é intransigente, pois pede um alimento ou tipo de comida específico (por exemplo, doces). Quanto à fome física, esta surge de forma gradual, com sensações fisiológicas associadas como sejam as contracções estomacais e a ampliação dos sentidos do olfacto e do paladar, para além de ser um tipo de fome aberta a diferentes opções de comida. Outra diferença importante entre a fome emocional e a fome física é que a fome emocional gera sentimentos de culpa, muito possivelmente, porque a pessoa reconhece que a comida ingerida não era necessária. Neste sentido, perceber o modo como surge a sensação de fome é importante para nos habituarmos a comer quando existe essa necessidade real evitando, assim, o acumular de calorias extra.

Para aumentar a nossa consciência quanto ao tipo de fome que sentimos é importante fazer algumas perguntas: 1) Como surgiu a sensação de fome? (Foi associada a algum episódio stressante?); 2) Que tipo de comida pede? (É aberta a opções ou pretende algo muito específico?); Como me irei sentir após ingerir esta comida? (Sentirei culpa, ou irei sentir-me bem por reconhecer que a comida é importante para o meu organismo?).

Como forma de sensibilizar o público em geral para o fenómeno da fome emocional, o livro: A Comida como Almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?, identifica vários padrões de fome emocional, assim como descreve um conjunto de estratégias e tácticas para melhor lidar com este fenómeno, uma vez que prevenir a ingestão de alimentos que o organismo não necessita constitui um importante passo para prevenir um conjunto de patologias, assim como melhorar a qualidade de vida.

Se se interessar pelo tema da fome emocional não falte ao lançamento do livro: A Comida como almofada Emocional – Porque comemos sem ter fome?, a decorrer no dia 1 de Outubro pelas 16h, na Biblioteca Municipal do Barreiro.

Júlia Marçal

 Psicóloga Social

 

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