capaz de dar sentido à vida”
Numa iniciativa conjunta da Paróquia de Santa Maria com o Movimento Stop Eutanásia, na passada sexta-feira no Barreiro houve uma conferência sobre a possível legalização da Eutanásia e suas consequências.
Começou por intervir Sofia Guedes do Movimento Stop Eutanásia: “É um movimento cívico que nasceu da preocupação de alguns cidadãos sobre esta matéria. Começou muito pequenino! E foi animado e encorajado por pessoas que trabalham no Instituto Europeu de Bioética e da Associação Alliance Vita que há anos trabalha de uma forma intensa e profissional na área da Bioética. Visitaram-nos para nos informar do drama que se passa Bélgica, Holanda e Suíça.
A nossa primeira acção foi a criação de um blog stopeutanasia.pt onde qualquer pessoa pode encontrar definições dos conceitos, práticas, ler testemunhos, documentos científicos, filosóficos, artigos de opinião, informação sofre conferências, e muito mais.
Não somos um grupo confessional ou partidário, não estamos contra ninguém, antes pelo contrário queremos que todos e cada ser humano se sinta fundamental neste debate.“

Dr. Francisco Alvim, jurista afirmou “Em Portugal vivemos num Estado de Direito Democrático, que se distingue de outros regimes precisamente por ter o Homem no centro da sua actuação, nas múltiplas vertentes do poder legislativo, executivo e judicial, assentando no princípio da dignidade da pessoa humana. Como é natural, a primeira decorrência deste princípio manifesta-se, desde logo, no direito à vida, que deve ser defendido e protegido pelo Estado e que é o direito por excelência, sem o qual todos os outros deixam de fazer sentido ou até mesmo de existir. É um direito que se impõe “per si”, é constitutivo, é – no plano dos direitos – como se fosse a nossa pele, no plano físico. (…)
O direito à vida vem amplamente consagrado no direito internacional, desde logo, na Declaração Universal dos Direitos Humanos, na Convenção Europeia dos Direitos do Homem e ainda, para nós que somos portugueses e pertencemos a um estado membro da UE, na Carta Fundamental dos Direitos da União Europeia. Então cumprimos todo o tipo de directivas e normas europeias, por exemplo a nível fiscal, bancário ou financeiro e não havemos de cumprir ou respeitar o direito mais importante que aquela carta (sublinho, Fundamental) atribui a cada ser humano de cada país? Julgo até que haverá margem para que se discutir a legalidade e, eventualmente, a (in)constitucionalidade de uma lei que despenalize a eutanásia nos moldes propostos, seja em que país for da UE. (…)
Dra. Susana Parente, começou por dizer: “Sou medica anestesista, trabalho em cuidados intensivos há 30 anos e tenho muitas inquietações (!!!)
Somos actualmente a consequência da ciência experimentalista. A ciência progrediu e com ela coisas positivas e outras negativas.
Hoje prolongamos a vida, numa sociedade hedonista, autista. Não há inter-ajuda e por isso sem códigos.
A natureza ensina que há uma proteção natural pela vida. A sociedade afastou-se disso. E como médica a minha função é apoiar as pessoas que estão doentes. Sei que pelo doente que vai morrer, que a única coisa que ele não quer e ficar sozinho!
Lembrou ainda “que quando uma pessoa está em estado “vegetativo” não sabemos na realidade o que se está a passar . Por isso, preferia que não viesse esta lei que agora pretendem colocar em vigor.”

A terminar a sessão interveio Tiago Amorim, filósofo: “Sou brasileiro e coloco-me como homem o que dispensa a minha nacionalidade neste tema sobre a eutanásia.
No sec. XIX, Decartes surge na esteira do movimento da revolução científica. Queriam explicar o mundo de forma Matemática. E na verdade a matemática acalma quando chega ao resultado! Trabalha com exatidão e por isso não tem poesia. Este movimento tentou matematizar a vida humana. Como se a pessoa encaixasse numa régua e tudo fosse medível. Exemplo: esta pessoa está mais perto da morte, …. tem mais vida, está mais morta que viva,….falam da vida humana com medidas.”
Afirmou ainda que: “A vida humana tem matizes e matizes, e qualquer um de nós pode estar em condições de Cuidados Paliativos existenciais.“
Lembrou a pergunta feita ao filósofo espanhol Julian Marinas, se era a favor da pena de morte? E ele respondeu com prudência: “Como posso mandar alguém para um lugar que não conheço?” Precisamos de Prudência!
“Em Portugal como no Brasil gostamos muito de ter um “pai” Estado, que proíbe isto, legaliza aquilo, manda nisto, manda fazer e muitas vezes coisas do foro íntimo de cada pessoa. E por isso cada vez que o Estado legisla nós achamos que é bom!
Com a eutanásia será que nós queremos que o Estado legitime algo que nós não sabemos?
Penso que vai o homem vai voltar à lei natural, à consciência humana que ainda está muito ferida.
E não podemos nunca esquecer que a existência precede a essência (que são as características individuais de cada um). E não podemos confundir! Ontologicamente somos todos iguais, mas existencialmente diferentes.“

De seguida deu-se o debate com varias intervenções e testemunhos numa plateia com algumas dezenas de pessoas.

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