Construções de Votos

Estamos em março de 2017 e as Eleições Autárquicas aproximam-se a passos largos, embaladas pelo início das pré-campanhas nos vários partidos políticos que apresentarão candidaturas aos órgãos locais e que se apresentam aos eleitores com o intuito de conquistar a sua confiança materializada em votos.

Tudo normal e extensível às mais variadas autarquias deste nosso Portugal. “Tudo” será, na verdade, uma hipérbole da normalidade de que se fala aqui. E explico-me: é normal a apresentação de candidatos, a apresentação de ideias, os outdoors e os flyers, o debate e o combate político. Mas termina aqui a normalidade.

No entanto, como tem vindo a ser hábito de quatro em quatro anos, assistimos a um tipo de campanha que desrespeita o eleitorado e assina um atestado de estupidez aos cidadãos do nosso Concelho.

Falo, claro, das Construções de Votos. Autênticas obras de engenharia civil política e arquitetura eleitoral que põe nas mãos da Câmara Municipal do Barreiro os desígnios da campanha da CDU.

As Construções de Votos são várias e apresentam formas distintas: são rotundas, são estradas, são passadeiras, são limpeza das ruas, são tratamento de jardins, são recuperação de parques infantis.

São, na verdade, verdadeiras operações de cosmética com o intuito de esconder o abandono que a cidade sofre durante três anos e meio por parte do poder político, mas que magicamente, a seis meses das eleições, se transforma numa espécie de preocupação “genuína” com a qualidade de vida dos barreirenses.

Porque se a desculpa for a falta de verba durante o restante mandato, então porquê comprar quintas que estão vetadas ao abandono desde a aquisição? Porquê comprar barcos que só servem para nos fazer ver navios?

É claro que o PCP nada fez, em nome próprio, para além de apresentar a sua candidata à Câmara. Nem ideias, nem pessoas. Nem propostas, nem críticas. Nem Barreiro, nem Lavradio. Nem Coina, nem Palhais. Nem Santo António, nem Santo André. Nem Alto do Seixalinho, nem Verderena.

Só Câmara Municipal e freguesias. Só poder pelo poder. Só preocupações com quantos votos entram nas urnas e nenhuma com quantas pessoas se sentem em casa no Barreiro.

É inenarrável o desrespeito que o PCP apresenta face aos cidadãos do Concelho. É indesculpável o tratamento endereçado aos mesmos pelo Comité Central reunido nos Paços do Concelho.

É vergonhoso que se desenhe toda uma campanha eleitoral recorrendo a recursos públicos, advindos dos impostos de todos e que o PCP utilize o poder que lhe foi conferido com o objetivo único de se manter no Poder. O Barreiro e as suas gentes merecem mais. Muito mais.

 

Tiago Sousa Santos

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