Realizou-se, em Dezembro do ano passado, a segunda edição da Prova de Avaliação de Conhecimentos e Capacidade (PACC). Uma prova que visa apurar os conhecimentos dos professores com menos de cinco anos de serviço. Essa prova, que tanto os professores como a FENPROF estavam contra, viu agora os seus resultados tornados públicos: um em cada três professores chumbou. O Estapafúrdios do Quotidiano decidiu ir falar com alguns desses professores, afim de descobrir quais os exercícios que saíram no exame…

 

1º Exercício:

O selecionador nacional convocou 17 jogadores para o próximo jogo de futebol. Destes 17 jogadores, 6 ficarão no banco como suplentes. Supondo que o selecionador pode escolher os seus suplentes sem qualquer critério que restrinja a sua escolha, poderemos afirmar que o número de grupos diferentes de jogadores suplentes.

  1. a) é inferior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos
  2. b) é superior ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos
  3. c) é igual ao número de grupos diferentes de jogadores efetivos
  4. d) não se relaciona com o número de grupos diferentes de jogadores efetivos

 

O professor Artur Vicente da Silva Estilipécto disse-nos: “Ora, mas está tudo louco, ou quê? Eu sou professor ou treinador de futebol?! Claro que não sabia responder, acertadamente, a essa pergunta! Fiquem vocês sabendo, que o mais próximo que tive de uma bola de futebol foi na primária. E mesmo nessa altura já não percebia nada daquilo. O meu papel era, basicamente, ir para a baliza e tentar defender as bolas com a barriga. É que sabe…Ah! Ah! Já nessa altura, aqui a pancinha, já se fazia notar!

(Ora portanto, do resultado deste exercício já conseguimos tirar uma conclusão: “Indiscutivelmente, o gordo vai sempre à baliza!”)

 

2º Exercício:

Uma companhia aérea transporta passageiros em classe económica e em classe executiva. As filas de A a C, com dois assentos de cada lado do corredor central, pertencem à classe executiva. A classe económica é composta pelas filas de D a M. De um lado do corredor, cada uma destas filas tem dois assentos. Do outro lado do corredor, cada fila tem três assentos, com exceção das filas G, H e I, que não existem nesse lado do corredor. Existem quatro saídas de emergência, duas sobre as asas, entre as filas J e K, e duas no topo da classe executiva, antes da fila A.

No plano de evacuação do avião, está previsto meio minuto, em média, para evacuar um passageiro por uma saída de emergência. A cada lugar corresponde uma saída de emergência, determinada pela fila e pelo lado do corredor. Num certo voo, viajam 20 passageiros nas seis primeiras filas do avião, metade de cada lado do corredor. Em caso de necessidade, estes passageiros terão de ser evacuados pela saída de emergência localizada no topo da classe executiva. Os 25 passageiros que viajam nas restantes filas, 12 de um lado do corredor e 13 do outro lado, serão evacuados pela saída de emergência que está localizada sobre a asa do avião. As quatro saídas de emergência funcionam em simultâneo.

Quanto tempo está previsto demorar a evacuação dos 45 passageiros deste voo?

 

  1. a) 22 min 30 s
  2. b) 22 min 50 s
  3. c) 6 min 30 s
  4. d) 6 min 50 s

 

O professor Zé dos Santos Carrapato contou-nos o seguinte: “As pessoas que elaboraram este tipo de perguntas só podem ser pessoas que passam a vida a viajar de avião. Ou então têm um part-time como assistentes de bordo, ou algo do género! Como é que eu posso responder a uma pergunta destas se nunca andei de avião na vida? Hum?! Vá, digam-me… O mais alto, e suspenso, que estive no ar, foi quando andei no teleférico da Expo 98. Agora, se quiserem que me baseie nessa experiência para responder a este exercício, eu baseio-me. Saídas de emergência: zero! Tempo de evacuação: menos de 30 segundos! Bastou eles porem aquilo a andar que eu borrei-me logo todo!

(E já temos a nossa conclusão para o 2º exercício: “Não experimentar nunca o teleférico do Parque das Nações…)

 

3º Exercício:

Numa nova ida ao Romal com o ourives, homem de boa prosa, Benito questionou-o em relação à guerra: como era isso de Portugal despejar milhares de homens nas trincheiras e a Espanha dizer que era neutral e não pôr lá os pés? […]

Saíram, e Jorge Ourives encaminhou-o para a Rua do Corvo: alvitrava um último café na casa de pasto de um conterrâneo gandarês cujo empregado voltara semanas antes de Armentières, onde a metralha ceifara a sua bateria.

“Tenho que ouvir o herói”, conformou-se Benito.

Era um herói recatado: nem ferido fora, apesar de a sua unidade de reforço aos ingleses haver sido afundada na lama dos drenos pelo assalto alemão.

Qual das opções contém o intervalo temporal correspondente ao período histórico no qual se desenrola a ação do texto?

 

  1. a) 1875 – 1900
  2. b) 1900 – 1925
  3. c) 1925 – 1950
  4. d) 1950 – 1975

 

O professor Márcio Macebo Santos, disse-nos: “Nunca na vida iria supor que iriam colocar uma pergunta tão estapafúrdia, numa prova deste calibre. Então, se eu nunca fui a Espanha, nunca fui à Alemanha, e muito menos à Inglaterra, como é que eu iria saber a resposta deste exercício? Ó, pelo amor de Deus… Eu nem à tropa fui, quanto mais! E outra coisa: onde raio fica a Rua do Corvo?! E o que é que isso tem a ver para a história?! Sabem o que eu acho? Cá para mim, a malta que inventou estes exercícios, devem ser uns cientistas que querem construir uma máquina do tempo! «Ai, …qual das opções contém o intervalo intemporal correspondente ao período histórico e blá, blá, blá, whiskas saquetas!» Opá, vão mas é a…ao passado perguntar ao Eistein, ó!”

(Conclusão nº3: Quem não foi à tropa não sabe o que é ser homem! Onde é que isto já se viu? Com uma idade destas não sabe responder a uma pergunta tão simples quanto esta. Shô Márcio, Shô Márcio… O melhor que você tem a fazer é desistir da sua carreira de professor e tentar ingressar numa carreira militar, homem!)

 

Texto escrito por: Gil Oliveira & Ricardo Espada

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