Nos últimos tempos têm surgido alguns novos partidos políticos. Primeiro, foi o partido LIVRE; depois o AGIR (e não, não nos referimos ao tipo estranho que usa porcas nas orelhas e canta mal que se farta); e agora, nada mais, nada menos do que (Trrreeeee…Rufar dos tambores): o PURP – Partido Unido dos Reformados e Pensionistas! O PURP é um partido criado por um grupo de reformados que visa combater a calamidade que se abateu sobre o nosso país, derivada da austeridade dos últimos anos. O Estapafúrdios do Quotidiano foi ao encontro de três reformados, militantes do PURP, e pediu-lhes que nos contassem as principais soluções que o partido irá colocar em cima da mesa. Ora vejamos que soluções são essas…

 

1º Reformado

António das Dores é um dos reformados que faz parte do PURP. Ele explicou-nos qual a sua ideia para solucionar o problema da crise…

«Olhem, caros amigos. Isto é assim, eu… Zzzzz… Hum… Zzzzz… Ah, sim, onde é que eu ia mesmo? Ah, sim, sim… no coise… Bom, então, o que eu tenho a dizer é o seguinte! Ai, credo… este solzinho convida mesmo a uma sestazinha, não acham? Dá-se-me cá uma soneira depois de almoço… O que é que vocês queriam mesmo saber? Ah! Sim, sim… A solução que tenho para apresentar em nome do PU… PA… PE… Oh, diacho… como é que se chama mesmo o Partido? Bom, não interessa. A minha solução passa por erradicar todos os pombos que existem. Então?! Não façam essa cara de pasmados, pá! Raciocinem lá comigo: imaginem vocês que são uns tipos reformados que querem passar o dia inteiro a jogar à Sueca no parque. Ora, se volta e meia apanham com uma bosta de pombo nas trombas, não conseguem não é verdade? Como é que querem que este país ande para a frente se anda sempre alguém a cagar-nos para os olhos?! É por isso que nós no… no… Zzzz… Zzzz…»

(Acabámos por deixar o Shôr António da Dores dormir a sesta. Uma hora depois fomos ao seu encontro e ele estava num banco de jardim a atirar pedras aos pombos… Enfim… Vida de reformado não é nada fácil…)

 

2º Reformado

Jacinto Oliveirinha da Serra é outro dos reformados que faz parte do PURP. Encontrámo-lo na Kleopatra (o Dancing bar mais conhecido da Geriatria…). Vestia um fato bastante elegante e ostentava uns óculos de sol igualmente elegantes que, juntamente ao seu bigode “à anos 70” e um charuto por acender no canto da boca, davam-lhe um ar de proxeneta. Mas lá ouvimos o que tinha para dizer:

«Olha, olha… Como é, meus amigos? Está tudo em cima? Vamos lá a ver, então os meus caros amigos querem uma entrevistinha, não é verdade? Eu vi logo que isto de pertencer ao PURP tinha as suas vantagens… Pagam com dinheiro na mão, ou em cheque? Se for preciso forneço-vos o NIB e vocês fazem a transferência depois. Eh! Eh! Sabem como é, a malta tem que se orientar, porque isto só com a reforma não vai lá. Como?! Isto é grátis?! Não pagam nada? Ai o camandro… Eu bem que tinha razão quando disse que o PURP devia lutar por um subsídio extra para os reformados… Era o subsídio e Viagra grátis. Garanto-vos que o país melhorava logo. Não estão a ver como? Então eu explico… Então o governo quer que a malta faça bebés, não é verdade?! E a malta jovem não se chega à frente… Era distribuírem o comprimidinho azul aqui na Kleopatra, e nós reformados repovoávamos o país inteiro. Era a loucura…»

(Olhem que, pensando bem, o Sr. Oliveirinha da Serra é capaz de ter alguma razão. Queremos Viagra grátis! Queremos Viagra grátis! Queremos Viagra grátis! Bom… Quer dizer… Queremos Viagra grátis mas para os velhotes. Só para eles, mais nada. Até porque nós não precisamos disso… cof… cof… Ai malditas alergias primaveris!)

 

3º Reformado

Vítor Nespereira é o último dos reformados que tivemos o (des)prazer de entrevistar. Mas foi o único que nos facultou uma boa solução para o país. Ora vejamos…

«Olá. O meu nome é Vítor Nespereira, e sou um dos reformados que constituem o grande, o maravilhoso, o incrível, o fenomenal, o… Hum… Onde é que eu ia?! Ah! Já sei… O espectacular PURP! A minha ideia é a seguinte: vamos todos para as ruas com cravos nas mãos, cravos na ponta das espingardas, cravos nos canhões, cravos em todo lado. E desfilamos pelas ruas enquanto cantamos o “Grândola Vila Morena”… Ah! Isso é que vai ser… Vamos mudar este país. AH! E mais… Vamos mandar a baixo a PIDE, e mostrar a todo o mundo que “o povo unido, jamais será vencido!”. Até tenho um amigo meu que é cantor e que se disponibilizou para ir cantar algumas musiquinhas para animar a malta! Olhem, é como ele diz: “O que faz falta é animar a malta… É o que faz falta… O que faz falta é animar a malta, é o que faz falta…”

(Shôr Vítor você tem toda a razão… O que faz falta é animar a malta. Isso e os comprimidos para o Alzheimer. Mas não se preocupe, de todas as medidas que ouvimos hoje esta continua a ser a menos disparatada…)

 

 

Texto escrito por: Gil Oliveira & Ricardo Espada

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