DESCODIFICANDO A ACUPUNTURA

A acupuntura é uma técnica milenar originária da China. Consiste na introdução de agulhas muito finas em pontos específicos com o objetivo de estimular uma resposta específica do organismo. O reconhecimento científico dos resultados da acupuntura surge sobretudo a partir dos anos 90, com os avanços nas pesquisas realizadas. A consequência é a introdução da acupuntura na prática médica ocidental, pelo que atualmente já não é raro encontrar médicos que utilizam esta técnica, sobretudo nas áreas da ortopedia, reumatologia, fisiatria, imunologia e neurologia.

Os avanços científicos permitem entender como funciona. As agulhas de acupuntura, ao provocar minúsculas lesões nos tecidos moles, vão estimular as células a produzir citocinas (moléculas responsáveis pela transmissão de sinais entre as células), que por sua vez transmitem uma informação à medula espinhal, ao hipotálamos e ao córtex cerebral. Esta informação é reconhecida pelos vários centros do nosso cérebro que vão desencadear mecanismos de reparação e ajuste (Pérez, 2007). Podemos então dizer que a acupuntura favorece o equilíbrio dinâmico, a homeostase, os processos de auto-cura.

Para a Medicina Chinesa o conceito central é o QI, cuja tradução para a linguagem ocidental é Energia. A Medicina Chinesa observa o QI, o seu fluxo, o seu ritmo, os seus ciclos. Procura alterações a estes aspetos, desequilíbrios, e tenta corrigi-los. Para formular um diagnóstico considera, para além do sintoma que traz o paciente ao consultório, muitos outros aspetos, como a compleição, a pele, os sons, os odores, o estado mental, as emoções, as preferências, os hábitos, a língua, o pulso, os meridianos, os fluidos corporais, etc. Tudo é considerado em relação e não isoladamente (Maciocia, 1996).

Na Medicina Ocidental o diagnóstico não é tão amplo, os sinais e sintomas são considerados enquanto manifestações de determinada patologia, sendo esta abordada mais especificamente no âmbito de uma especialidade. No ocidente a medicina evoluiu no sentido da especialização, desenvolvendo cada vez mais e melhores meios complementares de diagnóstico e técnicas terapêuticas e cirúrgicas, o que torna o seu valor absolutamente inegável.

As bases teóricas da Medicina Tradicional Chinesa e da Medicina Ocidental são diferentes. Os seus conceitos, metodologias, a formulação de diagnósticos são completamente distintos. São formas diferentes mas complementares de olhar os processos de saúde humana.

 

Ana Sequeira

Especialista em Medicina Tradicional Chinesa

Maciocia, G. (1996). Os fundamentos da Medicina Chinesa: um texto abrangente para acupunturistas e fitoterapeutas. São Paulo: Roca

PÉREZ, A.C.N. (2007). Acupuntura: fisiopatología, patología, semiología y terapéutica en m.t.ch. Spanish. Valladolid: Ediciones Cemetc, SL

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