É Só Turistas!

 

Olhemos para as nossas cidades entupidas,

Hoje da sua gente completamente despidas.

Pessoas que por Portugal se perdem de amores..

Serão estes turistas ou outro tipo de roedores?

 

Para os residentes chega um mau presságio,

Multidões barulhentas tal não é o contágio.

O que parecia ser uma regalia estrangeira,

Pode vir a tingir as cores da nossa bandeira.

 

É óbvio que também há múltiplos benefícios,

Os quais chegam agregados com vários sacrifícios.

Sendo preciso lidar com desejos de suas majestades

E com os nossos cidadãos e suas devidas liberdades.

 

Nosso quotidiano não deveria ser só para Inglês ver,

A nossa tradição não é viver à grande e à Francesa.

Se este caminho acidentado continuarmos a percorrer

Corre-se o risco de perder a identidade da alma Portuguesa.

 

Esquecem-se os próprios na veneração do viajante,

Falham condições para pessoas manterem seus lares,

Quem lá mora é visto como um insecto ambulante,

Só falta pagar multas para na cidade respirar seus ares.

 

A palavra que nos define como povo, é a saudade,

Que hoje combate excursões alheias e a sua voracidade.

Para entrarem outros não deveriam sair os nossos,

Sem espaço nem sossego para descansarem os ossos.

 

Não reconhecemos o país ao olhar para as avenidas

Limparam-se os locais das suas memórias e vidas.

A grande Terra é de todos e nunca ficaremos ermos,

Mas para experienciar as nações são necessários termos.

 

Como equilibrar a balança das viagens e cultura?

Criemos passeios que para todos estejam à altura.

Não cedamos à xenofobia e colaterais cicatrizes,

Tem de haver lugar para visitas e para as nossas raízes.

 

 

Mauro Hilário

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