A pandemia veio acentuar as dificuldades inerentes na sociedade, demonstrando a fragilidade da mesma, onde num curto espaço de tempo, a grande maioria da Europa viu-se obrigada a aplicar um confinamento geral, colocando em causa o ato social e a economia das respetivas sociedades. 

Neste momento, onde estamos a enfrentar muito possivelmente uma terceira vaga da pandemia, quase todos os países da Europa voltaram novamente a introduzir o confinamento geral à sua população, colocando em risco, muitos dos empregos que já tinham sido afetados durante a primeiro confinamento. No caso de Portugal, é possível que quando o leitor estiver a ler este artigo já estejamos novamente confinados, o que irá colocar ainda mais em causa as perspetivas económicas e a confiança futura do país. 

Os últimos dados da taxa desemprego, segundo a Pordata, no mês anterior à pandemia (Fevereiro 2020) apresentava um valor de 6.8%, e os dados mais recentes (Novembro 2020) reportam uma taxa de 7.3%, e apesar de não parecer alarmante à partida, pode colocar em causa o real impacto desta crise económica e financeira atual. 

Contudo, as consequências da pandemia, têm elevada relevância na criação de novos postos de trabalho e o aumento desemprego jovem, o que tornam a recuperação económica um tema de grande importância para Portugal. E é neste sentido que entra o Fundo de Recuperação Europeu para Investimento, no valor de 13.2 biliões de euros, mais famosa por “a bazuca europeia”.

O Fundo de Recuperação Europeu deve ser visto como uma elaboração bastante positiva da coesão europeia, uma vez que é fruto de um acordo mútuo entre diversos Estados-Membros Europeus, que apesar das suas divergências políticas e económicas se juntaram num esforço conjunto, e que permite a Portugal recuperar e pensar no seu futuro económico. Neste sentido, este artigo visa salientar o escrutínio ao Fundo de Recuperação Europeu, na medida em que este deve ser aplicado em três vertentes passado, presente e futuro.

Passado – O que a pandemia pôs em causa?

O Fundo de Recuperação é consequência da crise económica criada pela pandemia covid-19, e por isso, deve ser aplicado para recuperar aquilo que sofreu as maiores consequências com a mesma, nomeadamente, os postos de trabalho destruídos e negócios arruinados, quer seja por terem sido obrigados a fechar devido à pandemia, ou devido ao seu decréscimo de faturação.

E ainda, permitir uma recuperação, apesar de gradual, de setores de atividade que sofreram as maiores consequências económicas, tais como, o turismo e restauração, sendo que em Portugal, ambos os setores que contribuem para uma elevada percentagem do PIB português. Além disso, devem ser utilizados os Fundos, em alguma forma de recompensar quem teve um papel ativo e de extrema importância para a melhor manutenção e coesão da sociedade, e que evitou desde a primeira hora da pandemia que Portugal não entre em colapso.

Presente – O que temos de reforçar agora?

No curto prazo, a pandemia colocou inúmeros riscos e incertezas na situação financeira de particulares e coletivos. 

Na envolvente coletiva, devem ser preservados os investimentos atuais, que posteriormente derivam em diversas vantagens para o setor económico, e ainda, no setor bancário, deve ser colmatado o risco enorme que Portugal enfrenta com risco das moratórias e créditos efetuados, em consequência da falta de liquidez causada pela pandemia. 

Noutra envolvente, o particular deve ter em vista as suas poupanças, para futuro investimento, aquando de maiores fatores de confiança para o mesmo, uma vez que a recuperação deriva no maior poder de compra, sendo que este aumento deve ser utilizado a pensar na poupança futura.

Futuro – E agora, é para voltarmos ao mesmo?

Na aplicação do Fundo de Recuperação Europeu não irá existir um elevado grau de discrepância entre Estados-membros, sendo claro, que entre os mesmos a sua aplicação deriva em grande medida na recuperação das suas economias fragilizadas. No entanto, a vertente futura, é aquela que terá um fator discrepante entre Estados-membros, este é fator que vai distinguir no futuro, a vantagem competitiva económica europeia, e desta forma permitir investimento estrangeiro direto na economia da sociedade. 

Nesta medida, a aplicação do Fundo de Recuperação Europeu deve contribuir para a facilidade do investimento estrangeiro e nacional, e com isto, elevar a sua riqueza, e beneficiar a sociedade com maiores rendimentos, postos de trabalho e poupança.

Conclusão

A pandemia de covid-19 veio acentuar as dificuldades de todas as sociedades mundiais, no entanto, a nível europeu vai ser possível o acesso a Fundos de Recuperação, e neste caso em concreto, Portugal deve aproveitar os respetivos, não só para recuperar a sua economia fragilizada, mas igualmente para melhorar a sua economia futura, através de reformas públicas e facilidade de leis públicas, incluindo fiscais, e que estas contribuam para o investimento privado na economia, e com isto, contribuir para o crescimento coletivo e individual da sociedade.

Ricardo Guerra

Juventude Popular