O secretário de Estado do Mar, Manuel Pinto de Abreu, afirmou ontem que a economia do mar “é uma realidade que tem presente e que tem de ter futuro”, acrescentando que este setor poderá ser estratégico no futuro da economia nacional.

“As atividades do setor da economia do mar foram as que melhor resistiram à crise que se abateu sobre Portugal, na larga maioria do setor e dos subsetores a atividade manteve os níveis ou cresceu”, afiançou Manuel Pinto de Abreu, na abertura do primeiro seminário da MAR 7 – Associação para o Desenvolvimento da Economia do Mar no Distrito de Setúbal, que realizou-se esta quarta-feira no Auditório na Sede da APSS, em Setúbal.

Todavia, o responsável do mar alertou que Portugal não se pode dar ao luxo de ao entrar “num período de vacas mais gordas” desperdiçar esse recurso, enaltecendo que o mar “pode e deve funcionar como um seguro”.

Relativamente à Estratégia Nacional para o Mar 2013-2020, o secretário de Estado assegurou que o documento está “aberto à mudança”, acrescentando que a Comissão Europeia mostrou-se- num encontro que decorreu a semana passada em Bruxelas -“muito interessada no conteúdo da Estratégia e confiante de que, através desta visão, Portugal continue a dar contributos à própria União Europeia fazendo, consequentemente, com que este organismo valorize mais as matérias relacionadas com o mar”.

Manuel Pinto de Abreu defendeu ainda a importância de existir menos burocracia para facilitar o investimento. “Sem facilidade de ação, sem uma resposta rápida e descomplicada, dificilmente há empreendedorismo que resista”, sintetizou, enaltecendo que é necessário fomentar, simultaneamente, a cultura de mar.

Já Paulo Ribeiro, responsável da MAR 7, insistiu na necessidade de tirar pleno partido do mar, enquanto recurso natural e enquanto ativo económico gerador de emprego, riqueza e de iniciativas de natureza cultural, cujo potencial “não pode nem deve ser negligenciado ou subaproveitado”.

Sobre a Associação, o responsável explicou que a MAR 7 nasceu da vontade de um grupo de oito sócios fundadores – Paulo Ribeiro, Vítor Caldeirinha, Pedro Dominguinhos, Fernanda Nunes, Fátima Évora, João Paulo Almeida, Bartolomeu Lança e Miguel Menezes – que quer ver concretizado o desígnio do mar na região. A organização pretende, de acordo com Paulo Ribeiro, “contribuir para o desenvolvimento da Economia do Mar no distrito de Setúbal, através de uma posição colaborante e interventiva, focada na renovação da identidade marítima da região e na afirmação do mar nas suas multifacetadas potencialidades”.

Para tal, a MAR 7 irá “impulsionar o investimento estruturante, qualificante e inovador no domínio do mar; fomentar as atividades marítimas e dos produtos de mar no mercado interno e externo; divulgar o potencial económico por explorar do recurso mar; organizar eventos e missões empresariais associadas ao mar e desenvolver estudos, ações de formação adequadas ao desenvolvimento das atividades marítimas”.

O presidente da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS), Vítor Caldeirinha, corroborou as palavras de Paulo Ribeiro, e admitiu que o rio Sado “tem um grande potencial por concretizar em todos os aspetos”.

Para o presidente da APSS é preciso fomentar a aposta no empreendedorismo na economia do mar, sobretudo ao nível das pequenas e médias empresas e, nesse sentido, o primeiro seminário promovido pela MAR 7 é de uma “enorme importância”, uma vez que aborda “temas muito práticos e prementes” para quem pretende fazer-se ao mar.

Vítor Caldeirinha terminou a sua apresentação recordando uma frase que ouviu nas ruas de Setúbal: “Antes cheirava a peixe em Setúbal, mas as pessoas tinham emprego”. Para o administrador, a APSS tem contribuído para que “volte a cheirar a peixe, a mar e a sal em Setúbal”, nomeadamente através da promoção de diversas obras na frente ribeirinha e da requalificação de equipamentos relacionados com a pesca, a aquicultura e a náutica de recreio.

Refira-se que, a primeira sessão da manhã teve como tema “Empreendedorismo no mar: desenhar o projeto e investir”, e contou com a participação dos operadores Francisco Canelas, Consulmar; Jean Jack, Aquasacrum, Elsa Cabrita, CGD e Pedro Libano Monteiro, Lusitânia. Na segunda-parte do seminário, outra mesa-redonda debateu o tema Empreendedorismo no Mar: Escolher o local, licenciar e capacitar, com moderação de Raúl Tavares. À volta da mesa sentaram-se Carlos Serodio, FOR-MAR; António Rosa, APSS; Isabel Pinheiro, APA, IP/ARH Alentejo.

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