Encerrar Almaraz deve ser um imperativo

 

Ao longo dos anos “Os Verdes” têm vindo a alertar para os perigos da energia nuclear e particularmente para a Central Nuclear de Almaraz que fica perto da fronteira com Portugal.

Na última semana Os Verdes promoveram as suas jornadas parlamentares em torno da ameaça e dos riscos decorrentes da Central Nuclear de Almaraz.

O propósito destas jornadas foi ouvir e debater os riscos que a Central de Almaraz representa para Portugal e, em concreto, para as populações e para os territórios localizados na raia e na zona ribeirinha do Tejo.

Os Verdes percorreram, assim, os distritos de Castelo Branco e de Portalegre para avaliar a forma como estamos, ou não, preparados para enfrentar esta ameaça.

Ouviram e reuniram com as populações e com variadíssimas entidades, desde entidades ligadas à saúde, à proteção civil e à segurança, até aos bombeiros, autarcas, instituições de ensino e agentes económicos destes dois distritos.

De todos estes contactos, Os Verdes puderam concluir que há muito para fazer e a vários níveis, por isso, destas jornadas resultarão várias iniciativas, designadamente ao nível da Assembleia da República que Os Verdes pretendem apresentar para serem discutidas e votadas em plenário.

De facto, se rejeitamos a produção de energia nuclear teremos de ser consequentes nessa decisão, ou seja, rejeitar o nuclear significa não apenas, não o produzir, mas também não o comprar e não o consumir.

A nosso ver só desta forma a rejeição do nuclear alcança a sua plenitude.

Se rejeitamos a produção de energia nuclear impõe-se também, impedir ou proibir a sua comercialização no nosso país. Impõe-se, portanto, proibir a sua importação.

Se assim não for, a rejeição do nuclear será uma rejeição manca e parcial e os Verdes consideram que esta rejeição deverá ser clara, integral e inequívoca.

“Os Verdes” pretendem que se promovam, no nosso país, ensaios no terreno, relativos à emergência do risco do nuclear.

Na verdade, como se constatou nestas jornadas, os Planos de Emergência que preveem o risco radiológico, nunca foram objeto de teste no terreno.

Os Planos de Emergência não foram nem estão a ser testados no terreno, com as múltiplas entidades previsivelmente envolvidas e com amostras de população, o que significa que não está comprovada a sua eficiência real.

Como todos os Planos de Emergência, estes Planos, pelo risco que está subjacente e pela ameaça que representa a Central de Almaraz, precisam efetivamente de ser testados, não só para podermos percecionar as suas falhas e para as corrigir, mas também para se adaptarem a uma eventualidade que ninguém deseja.

Como podemos constatar durante estas jornadas parlamentares, há entidades que não têm ideia do que fazer em caso de acidente na Central de Almaraz.

É também por isso que os testes no terreno dos Planos de Emergência ganham uma importância decisiva nesta matéria.

Por fim, “Os Verdes” pretendem apresentar uma Resolução no sentido de permitir a informação adequada e os esclarecimentos às populações, porque as pessoas, hoje, não sabem o que fazer nem como serão avisadas, nem sequer como será feito o alerta em caso de acidente.

O Partido Ecologista “Os Verdes” propõe assim que sejam criados vários mecanismos de informação às populações, tal como sucede em caso de sismo ou no caso do Dengue.

Os riscos de um acidente em Almaraz implicam ou exigem que a população esteja devidamente informada sobre os comportamentos adequados.

Finalmente, e agora tratando-se mais de uma exigência do que de uma proposta, “Os Verdes” consideram que o Governo deveria clarificar a sua posição sobre o encerramento da Central Nuclear de Almaraz.

É verdade que o Governo já manifestou o seu profundo desagrado e preocupação pelo facto de não ter sido ouvido sobre a construção do armazém temporário para resíduos nucleares tendo, inclusivamente, como de resto, é do conhecimento público, apresentado uma queixa a Bruxelas. Ainda assim, “Os Verdes” consideram que, face ao estado obsoleto da Central Nuclear de Almaraz, que já há muito ultrapassou o seu período útil de vida, constituindo assim um uma ameaça agravada e um risco acrescido, o Governo não pode deixar de tomar uma posição firme sobre o não funcionamento da Central de Almaraz.

Só desta forma o Governo defenderá intransigentemente os interesses do nosso País, a segurança das nossas populações, do nosso território e dos valores ambientais, designadamente do Rio Tejo, que se encontra efetivamente ameaçado pela Central Nuclear de Almaraz, até porque as suas águas são utilizadas para o sistema de refrigeração da Central.

Assim, face a importância e a dimensão da ameaça, Os Verdes consideram que o grave incidente diplomático que foi criado pelo facto do Governo Espanhol não ter envolvido o Governo Português na avaliação da construção do armazém para resíduos nucleares, não deve ser tratado apenas através das diligências desencadeadas pelo Ministério do Ambiente.

A nosso ver, o assunto e a sua gravidade requerem o envolvimento do Ministro dos Negócios Estrangeiros e do próprio Primeiro-ministro, que aliás deveria tornar públicas as diligências desenvolvidas e a desenvolver nesta matéria, e consideramos mesmo que deve haver também um envolvimento do próprio Presidente da República.

Assim, como diz a canção, mais vale ser ativo hoje do que radioativo amanhã.

Joaquim Correia – PEV

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