O dinossauro predador Spinosaurus engolia peixes como os atuais pelicanos. Os ossos destes grandes dinossauros, conhecidos como espinossauros e que se alimentavam de peixes, mostram que mandíbula destes animais abria lateralmente para melhor abranger a presa, de acordo com um artigo publicado, no início de janeiro de 2016, na revista científica PLOS ONE, de autoria de Christophe Hendrickx e Octávio Mateus (FCT-NOVA e Museu da Lourinhã), e de Eric Buffetaut, de CNRS de Paris.

 

O estudo revela que o alargamento lateral da mandíbula inferior foi possível em Spinosaurus graças a uma articulação solta e móvel entre as partes esquerda e direita da mandíbula. «Os Spinosaurus eram animais piscívoros muito estranhos, com um crânio semelhante ao de um crocodilo, focinho longo, estreito e dentes cónicos», explicou Octávio Mateus. «Evidências diretas indicam que estes dinossauros eram comedores de peixe e nosso estudo mostra, pela primeira vez, que eles eram capazes de engolir grandes presas, de uma forma semelhante como nossos pelicanos que vivem», acrescentou Hendrickx.

 

Os cientistas garantem ainda que os ossos de vários crânios mostram a presença de duas espécies de espinossauros no Cretácico de Marrocos, há cerca de cem milhões de anos atrás. A primeira espécie foi identificada pelos paleontólogos como Spinosaurus aegyptiacus, um dinossauro semi-aquático e um dos maiores predadores terrestres. «Esta linhagem de dinossauros predadores que levou ao Spinosaurus pode ser rastreada até ao período Jurássico, tendo, gradualmente, adaptado-se a um novo estilo de vida semi-aquático», disse Eric Buffetaut.

O Spinosaurus foi recentemente considerado como um animal quadrúpede com ossos densos e pernas curtas adaptadas à natação, com base em novos materiais fósseis da mesma região de Marrocos. Hendrickx e colegas, no entanto, mostram a presença de mais de uma espécie de espinossauros nesses depósitos. E lançam dúvidas sobre o rigor da reconstrução de um Spinosaurus quadrúpede de pernas curtas, que pode ter sido baseada em elementos de vários animais distintos. «Só a descoberta de fósseis adicionais de Marrocos poderá confirmar a nossa hipótese da presença de mais de uma espécie de espinossauros, no Cretácico Superior, do Norte de África», concluiu Hendrickx.

 

Informação complementar:

 

1- Faculdade de Ciências e Tecnologia – Universidade Nova de Lisboa:  www.fct.unl.pt/    

2- Paper: Hendrickx, C., Mateus, O. and Buffetaut, E. 2016. Morphofunctional analysis of the quadrate of Spinosauridae (Dinosauria: Theropoda) and the presence of Spinosaurus and a second spinosaurine taxon in the Cenomanian of North Africa: http://journals.plos.org/plosone/article?id=10.1371/journal.pone.0144695

3- Informação adicional sobre o projeto (inclui imagens): https://drive.google.com/open?id=0B2-1jKWHZywJeVZ5RjR2MVBFMXM

4- Legenda das imagens :
Imagem 1 (foto) – Duas species de Spinosauris ,  sudeste de Marrocos, há cerca de 100 milhões de anos – de Sergey Krasovskiy (http://atrox1.deviantart.com/gallery/), assessorado por by Christophe Hendrickx, Serjoscha Evers, Andrea Cau e Scott Hartman.

Imagem 2  – (desenho aquático) – sem legenda

Imagem 3 – (Desenho dos ossos ) Morfologia da mandíbula superior pertencente a duas espécies de espinossauros

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