Nos primeiros dias de 2017 chegou ao fim um projeto que, durante praticamente todo o ano de 2016, levou ao Espaço Memória do Barreiro cerca de 3 mil pessoas para conhecerem a Exposição temporária “O Regresso das Bandeiras”.

Com início em 28 de fevereiro de 2016, este evento assinalou os 80 anos passados sobre um acontecimento histórico que marcou de forma inolvidável a memória de várias gerações de barreirenses, como um dos episódios mais corajosos da luta e resistência que opôs o povo do Barreiro à ditadura fascista, que, entre 1926-1974, oprimiu os portugueses.

Na noite de 28 de fevereiro de 1935, um grupo de barreirenses (muitos naturais de outras localidades mas residentes na então vila operária) levantou oito bandeiras vermelhas em vários pontos da vila, uma das quais na alta chaminé de 33 metros das Oficinas da CP (demolida em 1968) que ali permaneceu até à manhã do dia 1 de março de 1935, colou e distribuiu milhares de tarjetas e pintou nos muros palavras de ordem de apelo à luta por uma frente única contra a ditadura fascista que se afirmava em Portugal como “Estado Novo” e contra o nazi-fascismo que varria a Europa.

Esse ato de coragem coletiva revestiu-se, em certos casos, dramaticamente, de consequências pessoais diretas que recaíram sobre a vida de dezenas de famílias barreirenses, que suportaram a prisão dos seus entes, nalguns casos foram dezenas de anos passados nas prisões da ditadura e no Campo de Concentração do Tarrafal, Cabo Verde.

Dado o interesse da temática, a Exposição recebeu as visitas de diversas personalidades da vida académica, dirigentes partidários, membros do Governo, deputados da Assembleia da República, deputados municipais, dirigentes sindicais, estudantes das escolas do Concelho, grupos de resistentes antifascistas, entre muitos barreirenses anónimos que, perante as fotos e os testemunhos apresentados na exposição, se reconheceram e emocionaram.

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