O Reino Unido (RU) deu há dias formalmente o pontapé de saída da União Europeia. Adivinha-se um processo negocial difícil que vai arrastar-se por, pelo menos dois anos e com um final ainda incerto mas que os dois lados, Londres e Bruxelas, esperam que seja como nos Contos de Fadas – feliz, apesar da separação.
A invocação do artigo 50 pelo RU, representa um fracasso e retrocesso da União Europeia (UE) e do projecto comum. A saída é de facto um momento histórico lamentável, que tudo indica terá consequências devastadoras para a Economia dos dois lados – perguntem a um estrangeiro que trabalha no Reino Unido como a Libra se desvalorizou nos últimos tempos e se a inflação está ou não a deixar as carteiras menos recheadas?! Para não falar da enorme preocupação das empresas britânicas que “exportam” para o Continente e das empresas do Continente que nem querem ouvir falar em perder um mercado de mais de 70 milhões de consumidores. Nem vou aqui citar a onda de medo e preocupação com resquícios de xenofobia que muitos estrangeiros têm sentido na pele, nos grandes centros urbanos – algo impensável há uns tempos por aquelas bandas. Mas não podemos esquecer que os responsáveis pelo “brexit” são aqueles que, no RU e na UE, puseram em prática as políticas que conduziram ao “divórcio” do povo britânico com o projecto europeu. Defendo que a UE tem de concretizar rapidamente as prioridades assumidas na Cimeira de Roma e constantes da declaração aí aprovada, nomeadamente no domínio da convergência, do crescimento do emprego, da conclusão da União Económica Monetária, da dimensão social, da promoção da segurança e defesa partilhada e da sua afirmação como “actor” global, preocupado em manter a paz e prosperidade na Europa e no Mundo. Uma UE forte e unida é fundamental para garantir uma negociação justa e exemplar, que respeite os dois lados e crie as condições para que nenhum outro povo europeu venha a ter razões para desejar maioritariamente abandonar um projecto comum. Seja quais forem as decisões que se irão tomar nas negociações, acredito plenamente na existência de um denominador comum: há que respeitar os povos.
Para Portugal, o “brexit” poderá ser benéfico em termos económicos.
Acredito que muitas empresas britânicas irão escolher o nosso País para aqui se instalarem e assim poderem permanecer no mercado comum. Aconselho vivamente aos portugueses que vivem no RU a seguirem as orientações das autoridades locais quanto a aquisição de dupla-nacionalidade ou estatuto de estrangeiros residentes para que não sejam surpreendidos. Os “camones” por aqui são sempre bem-vindos. Aqui também somos bons de anedotas, o canal com neve fica distante e não se sentirão isolados.
“Brexit” a parte, este fim-de-semana jogou-se mais um “clássico” do futebol mundial. Não me refiro ao Real vs Barcelona ou ao Milan vs Juventus muito menos ao Panathinaicos vs Olympiacos. Refiro-me ao Sport Lisboa e Benfica vs Futebol Clube do Porto, da 27ª Jornada da Liga NOS. Sejamos honestos, o ambiente vivido na Luz – 65 mil espectadores, em nada foi inferior ao ambiente que se vive, por exemplo, nas Ramblas sempre que o Real Madrid visita o Camp Nou. A organização do jogo esteve irrepreensível. E nem os comunicados ofensivos da “máquina” propagandística do Dragão perturbaram a preparação do jogo. A PSP, como sempre nesse tipo de jogos, esteve uma vez mais à altura e disse “não” a todo tipo de tentativa de “macacadas” – Fernando “Macaco” Madureira e os seus “manos” que o digam.
O ambiente foi simplesmente fantástico! Digno dos melhores estádios do mundo. O SL Benfica entrou “mandão” e bastante pressionante no jogo e cedo demonstrou o porquê de ser o actual líder do campeonato ao fim de 27 Jornadas. Rui Vitória surpreendeu ao “entregar” a titularidade a Rafa Silva - foi um verdadeiro “abre latas”. Para que a exibição do 27 da Luz fosse perfeita, faltou apenas um golo. Jonas “Pistolas”, estreou-se a marcar ao Porto, proporcionou enorme “explosão” de alegria na Luz, logo aos 6 minutos – muitos dos adeptos ainda procuravam lugar para se sentar e (uma vez mais São) Casillas já ia buscá-la dentro das redes. Mas o FC Porto não virou a cara a Luta e empatou no reatar do jogo por Maxi (abacou o jogo esgotadíssimo – sentiu imensas dificuldades para travar Rafa depois dos quilómetros que fez pelo “seu” Uruguai) e até ao final houve pouco para contar, num jogo que foi um “hino” ao futebol – sem “casos” e muito bem disputado. Por Carlos Xistra, nem se notou. Esteve em campo? “Dragão” demonstrou que está aí para as curvas e saiu da luz satisfeito com o empate que lhe possibilita alimentar o sonho de voltar a tocar no “caneco” – o “jejum” já dura há 3 épocas. Pelo que o Benfica jogou, arrisco-me a dizer que foi (talvez) a melhor exibição da época e não será fácil aos adversários conquistarem pontos contra os pupilos de Rui Vitória. O empate deixou tudo em aberto e com a certeza que teremos Liga até Maio. Que venham os próximos jogos!
Obs: Já se pode voar para Cristiano Ronaldo. O Aeroporto da Madeira é oficialmente Aeroporto Cristiano Ronaldo e teve o aval do Presidente Marcelo que invocou o “interesse nacional” para aquela homenagem (em nada consensual) ao jogador do Real Madrid. A cerimónia contou com as mais altas figuras do Estado, mas seria o busto do jogador a tornar-se o centro das atenções tornando-se motivo de “chacota” nas redes sociais, tal é a discrepância com a fisionomia do atleta. Como CR7 só há outro caso no mundo: George Best. A antiga glória do Manchester United deu o seu nome ao aeroporto de Belfast. Para além da aliança que dura há séculos, Portugal e o Reino Unido têm mais pontos em comum do que se imagina.
Até para Semana, malta!
Assina: Manuel Mendes
Gestor Imobiliário
PS (Post Scriptum): Manuel Mendes opta por escrever na antiga ortografia da língua portuguesa.
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