Aproximamo-nos a passos largos da reta final da 1.ª e da 2.ª Distrital da Associação de Futebol de Setúbal.
Relativamente à 1.ª Divisão, o campeonato – sobretudo, quando comparado com o da época transata, o primeiro a ser realizado de acordo com as regras deste modelo competitivo – pode ser definido pelas palavras: competitividade e equilíbrio.

A luta pelo primeiro lugar do pódio contínua acesa, num efetivo mano-a-mano entre dois clubes históricos do distrito e, no sentido lato, do futebol português, o Amora e o Barreirense, cujo passado transporta-nos para os grandes palcos nacionais.

Na terceira posição e praticamente fora da luta pelo título encontra-se outro clube histórico do distrito, o Alcochetense.

Depois e até ao 10.º está o grande pelotão, ou seja, o lote das equipas que nunca tiveram em perigo de descer e sobre as quais já se disse, a determinada altura da competição, que estavam a fazer “um grande campeonato”, “um campeonato razoável”, “um mau campeonato” e ainda que estavam a “superar” ou “aquém” das expectativas. Apesar de divergentes e, por vezes, incompatíveis todas as opiniões merecem ser tidas em conta, no entanto, como eu sempre disse o campeonato é uma maratona e não uma prova de 100 metros.

Entre o 10.º e o 14.º estão equipas que de um modo geral nunca saíram desse grupo, mas que sempre conseguiram “aguentar-se” acima da temível linha de água.

Nos dois últimos lugar estão o Palmelense e o Arrentela. O Palmelense, um dos históricos do nosso distrito, regressou esta época ao velhinho Cornélio Palma, e verdade seja dita que o grupo tem feito das tripas coração para aguentar-se na 1.ª Divisão Distrital, apesar de todas as dificuldades com que se deparam. Ainda assim e com o devido respeito, o Palmelense faz-me lembrar aquela velha história do senhor que melhorou na vida e, consequentemente, trocou a casa mais modesta por uma melhor e que anos mais tarde regressou muito mais pobre a casa que um dia o viu partir.

Em último está o Arrentela, que desde o início demonstrou que teria sérias dificuldades para fugir da lanterna vermelha e conseguir a ambicionada manutenção e a verdade é que apesar de ter mudado várias vezes de treinador não trouxe o “abanão” esperado. Ainda assim, deve-se salientar o comportamento digno que a equipa tem demonstrado em todos os jogos, sem nunca baixar os braços na luta pelo objetivo, apesar de parecer cada vez mais inalcançável. Na 2.ª Divisão Distrital, temos Os Pescadores, um clube que já foi um grande no nosso distrito com muitos anos nos quadros nacionais, no lugar mais alto do pódio e dificilmente alguma equipa irá conseguir tirar-lhes o título.

Atrás dos Pescadores e a fazer uma grande época está o ADQC, que procura, pela primeira vez na sua história, subir à 1.ª Divisão Distrital da A.F.S., objetivo que a ser concretizado – como acredito – irá demonstrar que o presidente Joaquim Tavares e o treinador Pinéu tomaram a opção certa ao apostar na continuidade como o fator chave do grupo.

No 3.º e no 4.º lugar estão mais dois históricos do nosso distrito: o Vasco da Gama e o Paio Pires. Na minha opinião, quer os homens da aldeia – em igualdade de pontos com a ADQC  –, quer os homens da vila industrial de Sines – que estão presentemente a dois pontos do segundo lugar – têm tudo em aberto para conseguir a desejada subida.
O Moitense,  atual quinto, continua com a subida no horizonte. No entanto, a tarefa é muito complicada, tendo em conta a diferença pontual existente.

Nos três últimos lugares estão três equipas que limitam-se a cumprir calendário, desejando, simultaneamente, que o campeonato chegue ao fim o mais rápido possível, devido sobretudo às grandes despesas inerentes à competição.

Tendo em conta que o futebol não vive sem as equipas de arbitragem, hoje decidi falar-vos também dos árbitros, outro dos protagonistas dos jogos. Na minha opinião, há seis a oito árbitros com muita qualidade no distrito, alguns jovens que são sérias promessas e alguns árbitros que demonstram claramente que não têm a qualidade desejável para exercer esta função tão escrutinada quer nos campeonatos distritais, quer nos campeonatos profissionais.

Sinceramente, temos que com os atuais regulamentos que decretam a faixa etária máxima para subir aos quadros nacionais que alguns dos melhores árbitros do distrito – que já não são muitos – ao aperceberem-se que dificilmente devido à idade irão conseguir alcançar um patamar superior decidam abandonar a arbitragem.
Enquanto diretor desportivo, assumo que – tirando um caso ou outro pontual – não tenho razão de queixa das equipas de arbitragem que semanalmente tornam possível que a bola role nos campos do distrito. Mas confesso que me causa alguma estranheza que os treinadores dos clubes que estão nos lugares cimeiros estejam constantemente a queixar-se da arbitragem, justificado inclusivamente os resultados em função – por vezes exclusiva – do desempenho da equipa de arbitragem.

Semanalmente vê-se que os melhores árbitros são nomeados para os jogos das equipas que estão nos três primeiros lugares do campeonato e as outras equipas apanham árbitros de qualidade quando jogam contra estas referidas equipas, assim, quem se deveria queixar são as equipas que não estiveram e/ou não estão na luta pelo pódio. E, por isso, confesso que gostava de ver os treinadores que estão nessas equipas a treinar equipas com estruturas mais frágeis e acredito que essa experiência fazia-os dar certamente mais valor ao trabalho que é desempenhado pelas equipas que conseguem fazer “omoletes” sem usar praticamente ovos.

No próximo domingo, dia 26 de abril, irá disputar-se aquele que é efetivamente “o jogo do título” da 1.ª Liga, entre o Benfica e o FC do Porto.

Independentemente da minha simpatia clubística, penso que marcar o jogo para as 17h só espelha que o futebol profissional não tem respeito nenhum pelo futebol amador.

Se, num domingo normal, é difícil conseguir receitas para custear as despesas com a organização do jogo, como o clássico a essa hora as equipas não vão conseguir sequer através das receitas com a bilheteira custear as sandes que oferecem aos jogadores.

Amândio Jesus
Diretor desportivo

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