In Justiça
Vivemos num país onde a justiça funciona… para alguns.
Funciona para aqueles que possuem rendimentos suficientes para a comprar, funciona para aqueles que se juntam em corporações de poder seja ele económico, financeiro, político, religioso ou ainda maçónico que se encontra disseminado transversalmente por toda a sociedade portuguesa com centros de poder muitas vezes ao nível internacional.
É mais fácil ser-se preso por roubar um pão, do que por desviar uns milhões no setor financeiro.
Como foi possível emprestar milhões a pessoas para investir nos mercados financeiros, tomando a totalidade do risco sob as instituições financeiras. Emprestou-se dinheiro tendo como única garantia os próprios títulos financeiros sendo que os lucros reverteriam para os apostadores e os prejuízos reverteriam para os bancos. Tudo isto se passou sob a cobertura do Banco de Portugal. Como é possível nestes últimos anos terem tantos bancos ido à falência? Como foi possível não ter havido supervisão por parte das instituições responsáveis por ela ou havendo-a ter ficado uma auréola de conluio? Quantos mais prejuízos de bancos terão de ser suportados pelo povo? Quantos mais off-shores continuarão a roubar aquilo que a economia não consegue produzir?
Existem várias instituições que deveriam repor alguma justiça…
Uma delas, o Departamento Central de Investigação e Ação Penal, mais conhecido por DCIAP, há já vários anos recorre a especialistas de outras áreas para efetuar o seu serviço. Estes especialistas são emprestados por instituições como a IGF – Inspeção Geral de Finanças, PJ – Polícia Judiciária e ADC – Agência de Desenvolvimento e Coesão.
Não coloco em dúvida a necessidade de recorrer a especialistas. No entanto estes especialistas dividem o seu tempo de trabalho entre as unidades de origem e o DCIAP. Passam-se as semanas, os meses, os anos e as necessidades mantém-se permanentes. Aliás os processos amontoam-se às dezenas à espera de prescreverem uma vez que o DCIAP não detém especialistas suficientes nem possui uma equipa que permita fazer face ao trabalho em carteira.
Questiono… Haverá interesse em que o DCIAP não funcione, que não tenha uma equipa própria, que os processos sejam arquivados ou que prescrevam?
Já agora…, nas notícias aparece sempre o nome do juiz Carlos Alexandre. Não haverá mais nenhum juiz no DCIAP?
Por último e uma vez que a mão-de-obra não permite que sejam vistos muitos processos ao mesmo tempo… quem decide que processos ver? Haverá transparência? Haverá controlo? Haverá isenção?

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