A memória de Carlos Rodrigues, “Manel Bola” como era conhecido por amigos, colegas e público, está perpetuada em Setúbal, cidade onde nasceu e se fez ator e que agora lhe presta homenagem com uma estátua na Avenida Luísa Todi.

 

Sorridente, numa figura gentil e afável a cumprimentar quem passa na principal avenida de Setúbal e, principalmente, a saudar o Fórum Municipal Luísa Todi, sala de espetáculos onde tantas vezes atuou durante a longa carreira de ator, assim é representado o artista na escultura com 2,15 metros de altura, da autoria do artista plástico Jorge Pé-Curto.

 

A obra de arte foi inaugurada no domingo de manhã perante uma multidão que fez questão de estar presente em mais uma homenagem ao ator Carlos Rodrigues, falecido em dezembro de 2016.

 

Instantes antes da cerimónia de inauguração, que incluiu momentos de poesia e música, a filha de Manel Bola, Lúcia Rodrigues, confessava não conseguir traduzir os sentimentos despertados pela homenagem ao pai, embora garantisse “um grande orgulho, com toda a certeza”.

 

A escultura foi encomendada pela Câmara Municipal de Setúbal e o processo de criação representou um trabalho próximo entre Jorge Pé-Curto e a própria família do ator, com a cerimónia de inauguração a realizar-se na data em que Manel Bola completaria o 73.º aniversário, a 3 de setembro.

 

“É inteiramente justa esta homenagem que hoje fazemos ao Manel Bola e, por maioria de razão, a Setúbal”, sublinhou a presidente da Câmara Municipal, Maria das Dores Meira. “O Bola era um de nós. Dispensava a distância que muitos atores frequentemente impingem para se imporem como ícones idolatráveis.”

 

A autarca enalteceu a capacidade de Carlos Rodrigues conseguir conjugar, com facilidade, “o eruditismo com a simplicidade”, e destacou, ainda, “a enorme disponibilidade para a participação cívica” que demonstrou ao longo da vida.

 

A cerimónia de inauguração da escultura teve também outras intervenções de colegas e amigos que privaram com Manel Bola, bem como do filho do ator, Pedro Rodrigues, que agradeceu publicamente, em nome da família, a homenagem prestada ao pai.

 

O ator Duarte Victor salientou que pessoas como Carlos Rodrigues “são um inestimável património”, cujo legado “engrandeceu o teatro e a sua história”, num agradecimento ao trabalho do ator, estendido também por Célia David, atriz e diretora do TAS – Teatro Animação de Setúbal, onde Manel Bola foi ator residente.

 

Além da leitura de poemas por Duarte Victor e Célia David, a cerimónia, na qual estiveram presentes elementos do executivo municipal e presidentes de juntas de freguesia, incluiu vários outros apontamentos culturais, como a atuação da cantora Piedade Fernandes e a declamação de poesia por João Alegria, Micaela Castanheira, Susana Caritas, Sónia Martins, Susana Brito e André Moniz.

 

José Nobre, ator e amigo de Manel Bola, leu também um poema de homenagem e apresentou a nova Associação Cultural TOMA – Teatro Oficina Manel Bola, “criada para não deixar morrer e dar continuidade ao trabalho” de Carlos Rodrigues.

 

A sigla da associação, “TOMA”, explicou José Nobre, é igualmente uma pequena homenagem a Manel Bola, recuperando uma expressão muito querida e usada pelo ator.

 

“O Manel Bola dizia, a brincar, que era enorme. Bom, ele agora é realmente grande, com uma escultura de 2,15 de altura. Onde quer que ele esteja, deve estar a dizer ‘Toma!’”, gracejou José Nobre.

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