Inveja

Se não ficarmos contentes pelas metas atingidas pelos outros e a felicidade que de tal advém, como podemos nós próprios ser felizes?

Inveja sempre houve, desde os nossos primórdios. Quase arriscamos a dizer que é inato à espécie. Cobiçamos o que os outros possuem, temos ciúmes das relações que outros estabelecem, desejamos veemente alcançar onde outros chegaram.

Falemos do que se passa hoje em dia, começando por mencionar que a vida é injusta, mais vezes do que o seria esperado. 

  1. Alguém arranjou um bom emprego através de uma cunha, não tendo feito o mínimo esforço para o conseguir.
  2. Alguém iniciou um namoro com uma pessoa, que no fim das contas não a merece.
  3. Alguém comprou um carro novo quando o antigo estava perfeitamente aceitável para se conduzir, e a nós é que fazia realmente falta essa viatura a estrear.

Há quem tenha sorte, estando no sítio certo à hora certa; há quem tenha ajuda externa; há quem tenha meios monetários para adquirir mais e melhor. Mas tais factores não dependem de nós, e nem temos que nos sentir mal ou menos que eles por isso. Aliás se as pessoas ao nosso redor (quer gostemos delas ou não) estiverem felizes e mais à vontade na vida, a probabilidade de essa felicidade extravasar para a nossa é maior. Parece ser aquilo a que se chama uma “win-win situation”, diferenciando-se em que um ganha mais do que outro, sendo tal, apenas um pormenor.

Esta nossa cobiça é um veneno, que somos nós próprios a segregar e a partilhar entre todos. Começa levemente, contagiamos quem está ao nosso lado com uma conversa que aparenta ela ser inocente, só reparando no que fulano tal tem ou dominou com sucesso. Um vírus que nos corrói por dentro! Ainda para mais se for uma pessoa da nossa família ou círculo de amigos, pois esse vírus será muito mais recorrente e forte. 

Se sentirmos esse bichinho cá dentro, pelo menos que o domemos:

  1. Podemos lá chegar falando sobre isso com as pessoas em questão, pode ser estranho a princípio, mas não precisa de nos pesar gradualmente na alma. 
  2. Pedir-lhes conselhos de como conseguir os mesmos objectivos ou parecidos. 
  3. Utilizemos o sentimento como combustível, para nos dar força extra e dar os passos cruciais que levarão à mudança positiva e ao cumprimento de novas etapas.

Invejemos não os nossos irmãos… Mexamos sim, nós as “nalgas” e façamos acontecer. Se não obtivermos o que merecemos, precisamos ou queremos à primeira, tentemos outra vez! Isto sem ligar os que os outros têm ou deixam de ter ou ao que atingiram ou deixaram de atingir.

 

Mauro Hilário

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