Depois de o Governo anunciar que o Barreiro é a única localização em cima da mesa para a instalação do terminal de contentores, há cada vez mais investidores privados estrangeiros interessados na ampliação da atividade portuária no concelho, nomeadamente investidores chineses.

E, esta quarta-feira, nova prova desse interesse: Investidores do banco chinês ICBC estiveram no Barreiro a visitar a localização prevista para o terminal de contentores e as áreas industriais-portuárias circundantes.

Os responsáveis da banca chinesa quiseram passar despercebidos e não se pronunciaram publicamente sobre o projeto. Ao invés, o presidente da Câmara Municipal do Barreiro, Carlos Humberto, destacou que os investidores chineses mostraram-se interessados no projeto.

“É uma visita positiva. São investidores chineses que vieram visitar Portugal e aproveitaram para conhecer também as potencialidades do Barreiro e do novo porto. É mais uma entidade interessada e, segundo percebemos, é importante pois é o maior banco do mundo”, enalteceu o autarca.

Lembrando que estas visitas, até ao lançamento do concurso, “são, essencialmente, conversas exploratórias”, Carlos Humberto admitiu, ainda assim, que “pareceram interessados”.

O edil mostrou-se ainda disponível, em conjunto com a Administração do Porto de Lisboa, “para receber todos os interessados” e “potenciar as possibilidades de interesse das diversas entidades”.

A delegação chinesa fez diversas questões sobre o projeto e o que viu ‘in loco’ no terreno, mas, particularmente, sobre os incentivos locais, do Governo e as ajudas comunitárias que estão previstas para os investidores.

“Os fundos comunitários são sempre importantes, um incentivo, mas o que determina é o interesse na operação logística, portuária e industrial”, explicou, enaltecendo que “não é claro que existam fundos comunitários para privados a fundo perdido”.

De acordo com Carlos Humberto “existem fundos para a descontaminação, acessibilidades e mobilidade”, para a atividade económica privada o autarca acredita que “existam empréstimos bonificados a longo prazo de acordo com o plano Juncker”.

Recorde-se que, a Comissão Europeia apresentou em janeiro a proposta legislativa para o fundo de investimento que suporta o vulgarmente conhecido como “plano Juncker” com que pretende mobilizar 315 mil milhões de euros para a economia europeia, e que permite que Estados-membros ou entidades públicas injetem dinheiro.

O plano de investimento, que foi uma das ‘bandeiras’ de Jean-Claude Juncker quando se apresentou como candidato a presidente da Comissão Europeia, foi apresentado em novembro, tendo então sido conhecido que esse teria como suporte um fundo de investimento, estabelecido em conjunto com o Banco Europeu de Investimento (BEI), designado Fundo Europeu para Investimentos Estratégicos.

A partir desse fundo, com 16 mil milhões de euros de garantias do orçamento comunitário e cinco mil milhões do BEI, a Comissão Europeia acredita que por cada euro serão mobilizados 15 euros, no total 315 mil milhões de euros que podem entrar na economia europeia nos próximos três anos.

Além dos investidores chineses, o projeto de ampliação da atividade portuária do Barreiro está a ser sinalizado por responsáveis da Maersk, que visitaram o local do futuro terminal de contentores em fevereiro.

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