Parceria com a Câmara de Setúbal, no âmbito do programa Nosso Bairro, Nossa Cidade

O Instituto Politécnico de Setúbal (IPS) está a prestar apoio e formação em empreendedorismo aos moradores do bairro da Bela Vista e zona envolvente, enquanto parceiro do programa de iniciativa municipal Nosso Bairro, Nossa Cidade, que está no terreno desde 2012 com o intuito de impulsionar ações de melhoria naqueles cinco bairros da cidade de Setúbal com base nas decisões e participação ativa dos seus habitantes.

 

A ideia é permitir que pequenos projetos informais, nascidos dos talentos e hobbies dos próprios moradores, se transformem em negócios com valor que possam beneficiar também a vida comunitária.  “O desafio que nos foi lançado pela Câmara de Setúbal foi que pudéssemos ajudar os moradores a formalizar alguns negócios que eles já desenvolviam informalmente. Em algumas reuniões, confirmámos isso: muitos deles são pessoas extremamente habilidosas, capazes de produzir um produto com valor, mas ainda sem os instrumentos necessários para dar forma e sustentabilidade ao negócio”, recorda Teresa Costa, docente da Escola Superior de Ciências Empresariais (ESCE/IPS), que está a trabalhar diretamente com a equipa técnica do programa neste eixo dedicado ao empreendedorismo.

 

Nesse sentido, foi já promovida, em maio, a ação “Empreendedores do Bairro da Bela Vista”, que reuniu cerca de 40 formandos em torno de questões como portefólio de produtos, modelo de negócio e rentabilidade. À formação, conduzida por Teresa Costa e pelo diplomado da ESCE/IPS (licenciatura em Marketing), Miguel Lopes, compareceram moradores que desenvolvem trabalho na área do artesanato, costura, restauro de móveis, cozinha e doçaria, e que, em muitos casos, “não têm perceção do valor daquilo que fazem”.

 

No bairro das Manteigadas, Euclides Soares foi o primeiro empreendedor a transformar o seu talento em negócio e a viver disso. É o rosto por detrás da marca Kido Soares – Afrotuga Corte e Costura, que vende roupa por medida e acessórios vários com recurso a tecidos africanos, em homenagem às origens cabo-verdianas. Está estabelecido há menos de um ano num ateliê em espaço cedido pelo município de Setúbal, mas as vendas são feitas online para vários clientes em Setúbal, Lisboa, Madeira, França, Inglaterra e Holanda.

 

A forma como começou é paradigmática do que se pretende com o programa Nosso Bairro, Nossa Cidade.  “A costura era um dom que eu não sabia que tinha. Descobri fazendo, inventando coisas novas, e superando os desafios que as pessoas me colocavam quando me perguntavam se eu era capaz de fazer ou estampar uma determinada peça de roupa, mala ou sapatos. Com o tempo, comecei a ver que tinha jeito”, lembra.

 

De momento, o bairro, que é um dos mais carenciados a nível financeiro, de comércio e de transportes, discute o projeto de uma mercearia comunitária. Nas reuniões de trabalho, com a participação da professora Teresa Costa, delineia-se agora o conceito e decidem-se os próximos passos. Um deles, conclui a docente, será “conseguir a colaboração de uma ou de várias cadeias de hipermercados para fornecimento dos bens, a título de doação ou a um preço de custo, no âmbito das políticas da responsabilidade social destas empresas”.

 

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