No âmbito do projeto “Leituras às Quintas”, no dia 26 de fevereiro, pelas 21h, na Biblioteca Municipal Bento de Jesus Caraça, na Moita, vai ser apresentado o livro “O Angolano que Comprou Lisboa (Por Metade do Preço)”, de Kalaf Ângelo (que agora assina Epalanga, em homenagem ao seu avô materno que queria ser escritor), músico dos Buraka Som Sistema.

Três anos depois do lançamento do seu livro “Estórias de Amor para Meninos de Cor”, Kalaf junta nesta obra mais de cinquenta crónicas, algumas originais, outras publicadas no Público e outras na Rede Angola. Aqui, Kalaf discute a sua vida como “lisboeta angolano”, com as suas influências africanas e cultura de miscigenação, a “vaidade angolana que já se tornou monumento de fama internacional” e as marcas que Angola lhe deixou.

A aventura poética de Kalaf teve início em finais dos anos 90, em Lisboa, numa altura em que a cidade ensaiava novas linguagens rítmicas, buscando novos caminhos para a música urbana feita em português. Neste percurso, cruzou-se com os pioneiros do movimento de música eletrónica, contou estórias e gravou dois «disco-falados» que lhe valeram o título de Poeta-Cantor, A Fuga… e Strategies And Survival. Com o produtor João «Branko» Barbosa, crente de que era possível exportar Lisboa para mundo, fundou a Enchufada, núcleo de produção musical, editora independente e incubadora de ideias como Buraka Som Sistema. Em 2011, é editado, pela Caminho, o seu primeiro livro de crónicas, Estórias de Amor para Meninos de Cor.

Sinopse:

“Reparem, a seguir a Luanda, o lugar onde todas as idiossincrasias deste povo ganham maior visibilidade é Lisboa. Daí, mesmo que eu quisesse, é impossível ficar imune a essa banga, basta alguém identificar-me o sotaque (ou a ausência dele). A verdade é que a vaidade angolana já se tornou monumento de fama internacional. Uma atração turística ambulante, que onde quer que estejam angolanos, uma multidão de curiosos aparece para tirar fotografias, entregar currículos ou propor negócio, como me aconteceu recentemente. Quando terminava o meu almoço, sai da cozinha o proprietário e propõe-me que lhe compre o restaurante, com todo o recheio, licenças, cozinheiros e empregados de mesa incluídos. E eu, do alto da minha vaidade, tão afetado pela crise financeira em Portugal quanto o pobre senhor, lanço-lhe a pergunta: Quanto é que custa?”.

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