A abertura da Lagoa de Santo André ao mar ocorreu na tarde do dia 19 de março, na presença de centenas de curiosos. Isabel Pinheiro, da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) – entidade responsável pelo processo – assegura que a operação “correu bem, conforme programado”.

Isabel Pinheiro realça o importante “trabalho de parceria feito com o ICNF” e explica que “a escolha do dia deveu-se às marés favoráveis, em que a maré alta ocorre no período diurno – que é essencial para que a operação corra bem – e há também uma diferença considerável entre a maré cheia e a maré vazia, que favorece o esvaziamento, e depois, por conseguinte, o reenchimento. As condições climáticas também eram favoráveis”. A responsável manifestou ainda o desejo de que “o canal se mantenha aberto durante bastante tempo” e sublinhou que a preparação da abertura da Lagoa ao mar começou “no início de janeiro”.

A Vice-Presidente da CMSC, Margarida Santos – que, tal como o Vereador Albano Pereira, marcou presença no local – destaca “uma tradição que permite a renovação da lagoa, da sua flora e da sua fauna, que as pessoas vêm ver todos os anos”. Margarida Santos justifica o interesse de tantas pessoas pelo facto de se tratar de “um espetáculo que acaba por ser sempre diferente, porque a natureza vai mudando”, perspetivando ainda que “nos próximos dias vão continuar a aparecer aqui muitas pessoas para ver como evolui esta abertura de 2015”.

Entre as centenas de pessoas que não quiseram perder a operação esteve António Gonçalves, de 81 anos. “Acompanho a abertura da Lagoa ao mar desde os meus 8/10 anos”, refere o pescador residente nas proximidades de Deixa-o-Resto, na freguesia de Santo André, que recorda os tempos em que “a abertura era feita com enxadas e pás, demorava muitos dias. Chegavam a ser 100 ou 200 homens a trabalhar”.

A abertura da Lagoa de Santo André é feita todos os anos numa altura sempre próxima do equinócio da primavera, um processo que está a cargo da Agência Portuguesa do Ambiente e que outrora foi da responsabilidade da Câmara Municipal de Santiago do Cacém e depois da Reserva Natural das Lagoas de Santo André da Sancha. A abertura da Lagoa de Santo André ao mar visa a renovação da água da lagoa, a limpeza e lavagem do seu fundo e a entrada de algumas espécies piscícolas, com destaque para os alevins e enguias. O processo, outrora feito pela força de “braços e bestas”, foi substituído já há vários anos por máquinas.

Também na tarde do dia 19 de março, no âmbito do novo ciclo de eventos da Trienal no Alentejo (TnA), os artistas André Banha e Orlando Franco instalaram, em pleno areal, o “Observatório da espera, da luz e do tempo”, que vai estar no local até ao dia 7 de abril.

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