A Rua D. Manuel I, na Moita, recebeu ontem, de manhã, uma agitação invulgar, se por um lado, o alvoroço era grande em torno da visita da Rainha espanhola e da primeira-dama portuguesa à Casa dos Marcos, um centro de doenças raras. Por outro lado, ao fundo da rua – a 200 metros do local da visita – cerca de uma centena de pessoas protestaram contra as medidas de austeridade impostas pelo Governo e pediram a demissão do executivo de coligação PSD/ CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho.

Com palavras de ordem como “Desemprego em Portugal é vergonha nacional” ou “Está na hora do Governo ir embora” e cartazes com frases como “Presidente acorde e demita-os”, os manifestantes deram voz ao seu desagrado, exigindo a manutenção das 35 horas semanais e melhores condições no Centro Hospitalar Barreiro Montijo.

A primeira-dama de Portugal e a rainha de Espanha não se cruzaram com os manifestantes, na sua maioria funcionários da Câmara Municipal da Moita, uma vez que entraram por uma via alternativa.

“Não temos nada contra a Rainha de Espanha, estamos aqui para protestar contra o Governo”, disse ao Distritonline Luís Leitão, da União de Sindicatos de Setúbal, afeta à CGTP-IN, explicando que tinham “a informação de que iriam estar na cerimónia membros do Governo”. “Tal como já dissemos várias vezes, os governantes não são bem-vindos ao nosso distrito”, acrescentou o sindicalista.

Relativamente ao Centro Hospitalar Barreiro Montijo, o representante da União de Sindicatos de Setúbal alertou para o facto do Hospital do Barreiro já ter fechado “mais do que uma vez as portas do Serviço de Urgência”, transferindo, consequentemente, os doentes para outros hospitais do distrito, designadamente para o Hospital Garcia de Orta. “As políticas do Governo estão a prejudicar as pessoas, o povo, quem trabalha e quem desconta para ter um Serviço Nacional de Saúde eficaz como manda a Constituição da República Portuguesa”, acentuou.

Luís Leitão exigiu ainda a publicação dos acordos coletivos que mantêm as 35 horas semanais nas autarquias. “Houve um acordo entre os trabalhadores e as autarquias, o Governo só tem que aceitar e publicar os ACEPP e não desrespeitar, como tem feito, a autonomia do poder local”, defendeu.

António Lucas, trabalhador da Câmara da Moita, juntou-se ao protesto para pedir a demissão do Governo, uma vez que está “farto de ser roubado” e “descriminado pelo Governo por ser funcionário público”.

“Esperava que quando saísse a Troika o país melhorasse e os cortes parassem, mas não, o país nunca vai melhorar”, salientou o funcionário público.
António Lucas adiantou que caso fosse reformado agora, com 41 anos de descontos, teria uma reforma de 250 euros por mês.

“250 euros para pagar água, luz, gás, casa e comida. Como é que é possível viver assim?”, interrogou.