Desde 2013, que as Nações Unidas declararam como Dia Internacional da Caridade o dia 5 de setembro, o mesmo dia em que se assinala a morte de Madre Teresa de Calcutá. Para a Cáritas Portuguesa este é um dia de grande importância e ainda mais por ter sido decretado por uma instituição como as Nações Unidas. Este dia traz para o centro das nossas atenções o verdadeiro sentido da palavra “Caridade”, tantas vezes rejeitada.

Este ano, não se pode assinalar esta efeméride sem dirigirmos o nosso olhar e coração indignados para a chacina que o mundo está a permitir, tornando-se cúmplice da morte de tantas vidas que mais não querem do que se refugiar do medo da morte, de torturas várias, de falta de condições mínimas de subsistência.

Neste dia, e sempre, deveria ressoar na consciência dos indiferentes, dos ‘estrategas políticos’, dos escravizados pelas regras financeiras, dos mais poderosos deste mundo, a pergunta de Deus a Caim: “Que fizeste? Ouve! Da terra, o sangue do teu irmão clama a mim” (Gn 4, 10) ou como nos foi recomendado por Jesus: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a ele…” (Mt 7,12).

Sem dúvida que a Europa tem uma missão crucial a desempenhar na resposta a este drama que não pode passar apenas pelo apelo ao controlo de fronteiras terrestres, marítimas ou aéreas. Adiantam pouco medidas securitárias, pois o “estômago” e o medo são mais fortes que qualquer outra estratégia por muito inteligente. A Cáritas Portuguesa acredita que a resposta não pode estar só pendente de um continente, deve envolver todo o mundo. Por isso, defende, que se dê mais força às Nações Unidas para que possa haver uma intervenção adequada nos países de origem e uma solidariedade mais abrangente de todos os outros.

Para já é necessário acautelar as condições de sobrevivência aos que estão a procurar refúgio, criando condições dignas de acolhimento.

A Cáritas, em Portugal, não regateará esforços no seu contributo para esta imperativa missão. Neste momento, analisa que recursos humanos, logísticos e financeiros próprios poderá afetar para minorar este indigno e revoltante flagelo. Anuncia, desde já, que parte do valor angariado através da Operação 10 Milhões de Estrelas – um gesto pela paz, realizada, anualmente, no tempo de Natal – será canalizada para esta causa.

Mas não se fechará a quaisquer outras iniciativas que possam surgir para socorrer os nossos irmãos que estão a ser chacinados pela loucura dos seus governantes e pela indiferença de uma boa parte da humanidade.

Acreditamos que o nosso mundo pode ser um lugar melhor, com condições de vida e recursos suficientes para que todos vivam com dignidade e em respeito por toda a Criação. Para que isso aconteça é necessário que todos os homens e mulheres de boa vontade se envolvam e se sintam parte integrante desta Criação.

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