A Câmara Municipal do Barreiro e a firma JAIME FERREIRA DA COSTA & IRMÃO, LDA CONSTRUÇÕES E REPARAÇÕES NAVAIS assinaram, hoje, no dia 23 de junho, na Avenida Bento Gonçalves, o Contrato para aquisição da embarcação típica do Tejo, a Muleta.

 

Na assinatura do Contrato, Carlos Humberto de Carvalho, Presidente da Câmara Municipal do Barreiro, salientou a importância de ter a Muleta – “símbolo da nossa história” – a navegar. Considera que a construção da Muleta é um contributo para o Barreiro aproveitar as potencialidades do rio, neste caso, do ponto de vista lúdico e recreativo. “Se juntarmos esta iniciativa à reabilitação que está a ser feita na frente ribeirinha do Concelho, ainda mais se justifica a aquisição da Muleta”, referiu Carlos Humberto de Carvalho, salientando que “este ato se integra numa visão estratégica”.

Jaime Costa, representante da empresa que vai construir a Muleta, reconheceu o interesse das Autarquias pela recuperação das zonas ribeirinhas e salientou o “valor histórico dos nossos rios”.

“Para o ano iremos estar aqui a apresentar a Muleta”, disse, satisfeito por estar envolvido na construção de uma embarcação há muito desaparecida do Rio Tejo.

O Concelho do Barreiro possui condições naturais para as atividades marítimas, pelo que desde muito cedo as suas gentes souberam tirar partido dessa riqueza natural. Desde tempos ancestrais que o Tejo se povoou de barcos numa azáfama de aproveitamento de ventos, marés e correntes, quer no transporte de mercadorias entre as duas margens quer no labor da pesca.

Uma das embarcações usadas nessa atividade foi a Muleta do Tejo, também denominada como “do Barreiro” ou “do Seixal”, e considerada por muitos como a mais extraordinária embarcação tradicional portuguesa. Este barco de pesca é arcaico na forma do casco aparentando ter origem no Mediterrâneo Oriental, de proa proeminente redonda, bélica no aspeto, onde ostenta pequenos esporões, e de popa fortemente encurvada. Apresenta um casco chato mas arqueado no sentido longitudinal. Apesar da sua estranha aparência, a muleta é uma embarcação altamente equipada para a pesca e é perfeitamente adaptada ao seu trabalho em que uma campanha de 15 homens, dirigida por um mestre e dois moços auxiliares, empregam a tartaranha rede de arrasto e de alar, mas também aplicavam redes à deriva dentro do estuário e fora da barra. Arvora um só mastro inclinado para a proa onde cruza a verga para uma grande vela latina, o resto do seu equipamento de velejar dava-lhe uma enorme propulsão, dois panos na ré e seis na proa que compensam mantendo a muleta atravessada para arrastar. Operava dentro do estuário do Tejo da foz até ao mar da palha, e fora do Tejo percorria o espaço entre os dois cabos, o Espichel e o da Roca.

Em 1901 já só se encontrava uma muleta a laborar sendo substituída pelo Bote da tartaranha em uso até 1928.

Esta embarcação marcou de tal forma as gentes e a vida barreirense que é atualmente uma das peças mais identificativas da sua heráldica.

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