São marcados pelos mercados, 

E seduzidos por embalagens. 

Na indústria dos processados 

Enfardam suas doces desvantagens. 

É o veneno do século vinte e um! 

Ingerem tantos dos seus grãos, 

Mas quase não vêm nenhum. 

Abram os olhos e leiam rótulos, 

Enchem a barriga de bombas, 

Enfiam sacarose nas trombas. 

Tentam esconder a realidade 

Preferem vós ser cegos. 

Atados ao açúcar com nós-cegos. 

Desconfiem do que vos faça sentir, 

Que dele diariamente precisem. 

Tirem a fartura da boca e isto analisem. 

Em petizes com cereais adocicados, 

À mestria da gula totalmente viciados 

Substituem o são por saborosas porcarias 

E bons nutrientes por vãs calorias. 

Corantes, conservantes e aromas 

Mancham bolachas, gelados e gomas. 

Vossos excessos são apenas consolos 

E assim com bolos se enganam os tolos. 

Uns docinhos leves para dietas de atletas, 

Aparecem em prateleiras como alternativa. 

Um meio falso para intoxicar suas metas. 

Perante tal dependência 

Surgem na mente e mãos tremores. 

Mais uns suminhos e uns licores, 

Aos poucos, à saúde trazendo horrores. 

Esfomeados na linha de montagem, 

Já são autênticas marionetes. 

Por guloseimas fazem fretes 

Abrindo todos os poros à diabetes. 

Nem os adoçantes são decentes, 

Combustíveis para cáries nos dentes. 

Aumenta a podridão e ainda o peso. 

Mais que corpo, é cérebro obeso 

E ninguém de vós disto sai ileso. 

Não há imunidade para a gulodice 

Apenas insulina injectável. 

As vossas escolhas de alarvice, 

Para empresas bilionárias 

De farmacêuticas a culinárias, 

São uma mina inesgotável. 

Muito comidos e pouco comedidos, 

Ingerem gramas aos milhares. 

Mas há frutose natural em pomares, 

Mais meigos para os vossos molares. 

Previnam hoje futuros azares 

Nos vossos petiscos e jantares. 

Para os açúcares não ergam altares, 

Variem os alimentos nos vossos lares. 

Os argumentos deste ofício 

Deveriam acertar “na musse”, 

Alertando para este comum malefício.

Mauro Hilário