“O sucesso deste projeto vai depender de vós, do vosso empenho, da vossa capacidade de passar a mensagem”. Foi com este apelo que o vereador do Ambiente da CM do Barreiro, Bruno Vitorino, iniciou a apresentação pública do projeto Lifebiodiscoveries, esta quinta-feira, no Auditório da Biblioteca Municipal.

O Lifebiodiscoveries, no valor de 1,3 milhões de euros, foi um dos quatro projetos portugueses aprovados no âmbito do programa Life+ e visa contrariar o avanço das acácias na Mata da Machada e dos chorões no Sapal do Rio Coina. O grande trunfo do projeto barreirense e a sua característica distintiva em relação aos restantes projetos de controlo de espécies invasoras é a mobilização da sociedade civil na sua execução.

Para Henrique Pereira dos Santos, arquiteto com vasta experiência nas áreas de conservação da natureza e biodiversidade que elaborou a candidatura do município, as invasoras “são um dos quatro ou cinco problemas mundiais mais importantes do ponto de vista da conservação da biodiversidade”, porque provocam uma substituição de sistemas, alterando o aparecimento e crescimento de plantas e, eventualmente, de alguns animais, sobretudo insetos.

O avanço das invasoras nas joias do concelho obriga à realização de um restauro ecológico, contudo as intervenções mais técnicas são, habitualmente, “muito dispendiosas” e apesar de bastante eficientes “no primeiro ataque”, são falíveis a resolver o “problema da re-invasão”. Assim, de acordo com o arquiteto, “a solução, não fácil, mas possível, é ligar as pessoas da região a este combate”.

“A escolha pelo voluntariado não é porque o voluntariado seja mais barato a quem tem de gerir, porque o voluntariado tem custos, nomeadamente de comunicação e de mobilização, mas também tem mais-valias”, explicou o arquiteto.

Henrique Pereira dos Santos não tem dúvidas de que “a biodiversidade não é apenas um problema de plantas e de animais, é um problema nosso”.

O município pretende envolver cerca de 7000 voluntários, através de escolas, associações, IPSS, escuteiros, empresas, mas também famílias. Cada grupo poderá adotar um talhão, que será escolhido pelos técnicos mediante o tipo de grupo que o requerer, nomeadamente da idade e do número dos elementos que o constituem.

Bruno Vitorino, vereador do Ambiente, acredita que a concretização do projeto irá “ajudar a potenciar e a projetar a imagem do concelho dentro e fora das fronteiras do próprio município”, demonstrando que o Barreiro não é apenas “uma terra muito ligada ao passado e à sua riqueza industrial”, mas também uma terra rica em termos de biodiversidade.

O vereador considera “perfeitamente possível” que a longo prazo o Barreiro consiga desenvolver projetos ligados ao ecoturismo, aproveitando deste modo o potencial que existe no município e o facto de estarem a apenas 20 minutos da capital portuguesa. “Temos do outro lado um conjunto de turistas, precisamos é de ter um pacote deste lado que consiga atrair as pessoas e criar mecanismos para que o projeto em termos de iniciativa privada se torne rentável”, explicou o responsável do Ambiente, acentuando que este “não é o início de um caminho, mas sim uma ideia, de entre muitas outras, que o município irá tentar tornar realidade”.

O projeto, que será desenvolvido ao longo dos próximos cinco anos, tem um valor de 1,3 milhões de euros e vai ser financiado a 50% pela União Europeia. Segundo Bruno Vitorino, os outros 50% de participação camarária serão, acima de tudo, ao nível “dos recursos humanos já existentes na autarquia”.

O presidente da CM do Barreiro, Carlos Humberto, assumiu que a concretização do projeto permite à cidade “dar um passo importante” em relação ao futuro, dado que é, cada vez mais, necessário existir uma “visão integrada, conjunta e sustentada do desenvolvimento do concelho e, em particular, das zonas mais sensíveis [como é o caso da Mata da Machada e do Sapal] tão importantes e tão indispensáveis ao desenvolvimento futuro”.

“Eu considero que as vantagens económicas neste caso concreto não contam, a grande vantagem deste projeto é sermos nós a construirmos, intervirmos, participarmos, fazermos por nós, não deixarmos que sejam os outros a fazer. Quem participa fica mais sensibilizado, quem faz fica mais desperto para os problemas”, acentuou o autarca.

Partilhe esta notícia